Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



Picture credits on this blog go to my lovely husband, who has never enough of beautiful and interesting views all over the world. If a picture is not his, it will be linked to its original source.

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mundo Afora Demais

Se voce é leitor de Vicky MundoAfora de longa data, sabe que essas histórias comecaram em Londres.  Passaram pela Itália algumas vezes de férias, e depois como "casa definitiva".  Voltaram para Londres e hoje se encontram no deserto dos EUA.  E os posts nao necessariamente seguem esta ordem.  Mundo afora mesmo! Ora, nem sempre eu tive computador a disposicao, vivi muita coisa surreal - no Brasil, na Inglaterra, na Itália - e as vezes com uns drinques a mais.  A intencao inicial era registrar essas situacoes inusitadas para poder rir melhor delas mais tarde.  Nem sempre foi possível.  Hoje com a vidinha calma que levo tenho muito tempo para ir me lembrando das coisas e registro o que posso e a memória deixa.

Londres será sempre a minha paixao, o amor geográfico da minha vida.  Se fosse uma pessoa eu teria casado com ela.  Um lugar que me faz feliz só de pensar em estar lá, ou do que vivi lá.  Sinto falta e vou sentir a vida inteira, o lugar onde eu era eu mesma todo o tempo, em tudo o que fazia, nas coisas que encontrava, nas experiencias que vivia.  Para saber quem sou eu basta olhar uma foto minha em Londres.  Qualquer uma.  Aquela sou eu, no lugar que meu coracao adotou.



A Itália foi um breve sonho que virou pesadelo e seguiu-se uma enorme frustracao.  Viver em estado de ópera é drama demais na vida de uma pessoa.  Serviu para me ensinar porque meus antepassados saíram de lá e nao queriam nem ouvir falar em Veneza depois.  Foi um hiato para mostrar que meu lugar é mesmo Londres.

EUA, bem aqui estou.  Casada e com a vida diferente.  Nao é mais o que eu quero, mas o que é certo para nós dois fazermos juntos.  A vida muda mesmo.  E eu gosto muito da minha vida de casada, nao importa se morando aqui ou na China.  Nunca quis vir nesse lugar, nem Disney de presente de 15 anos.  Nunca tirei visto ou tentei tirar visto para entrar aqui nem por 15 minutos.  E ouvir do agente de imigracao, quando fazia escala num voo para Londres, muitos anos atrás: "e por que voce nao tem visto para os EUA? Passaporte novo? Seu visto foi recusado quantas vezes?".  Minha mae me ensinou boa educacao e eu nao sou doida de discutir com agente de imigracao de país pouco confiável, portanto, respondi, nao o que queria, mas: "eu nunca quis entrar aqui, nunca pedi visto nenhum, estou indo para Londres."  Por dentro, bem Carlota Joaquina, bati muito bem os meus pés antes de entrar no aviao para a Europa.  E hoje, aff...  já faz um ano que estou morando no Novo México.  A vida MUDA!

Se vou para outro lugar ainda?  Nao dá para saber.  E também estou cansada, já estou saindo dos 30, chega de aventura agora.  Nao é mais só eu e a mochila, a bagagem é muuuuuito maior hoje, essas coisas tem que parar um dia.  E a gente tem que viver no lugar onde está, se adaptar com o ambiente novo, as pessoas diferentes e o email e telefone para amenizar a saudade dos que ficaram longe.  A gente se adapta e se acostuma sempre, querendo ou nao.  E o blog fica aqui para eu dar umas boas risadas de vez em quando.  É o caderno de memórias tecnológico.

***

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Italia de novo

Bem que eu tento, mas foram tantos os absurdos que me aconteceram na Itália, que mesmo sem querer eu acabo lembrando de algo (hoje) engracado e tenho que contar.

A minha política para viagens de aviao é: eu só viajo com bagagem velha e suja, assim ninguém abre. Normalmente ando com um mochilao (odeio carregar mala) e coloco o mochilao dentro de uma bolsa enorme para fazer o check-in, que na verdade é protecao de mochila para embarque mesmo, e meto o cadeado. Quem olha fica até com nojo, fica um volume disforme e nao dá nem pra identificar o que tem dentro.

Uma vez na Itália meu voo Treviso-Londres atrasou porque a polícia de fronteira achou minha mochila suspeita. Fui chamada no alto-falante e quando entrei na sala da polícia o carabinieri mandou:
-Isso aqui é seu? O que tem dentro?
Mas ele já ficou sem graca de me ver, deveria estar esperando uma riponga ou um mochileiro sujo, e eu só ando arrumada e de blazer. Eu tive que responder:
-É sim, é minha mochila.
-A senhora pode abrir para eu ver?
-Claro.
Abri a bolsa, abri a mochila e perguntei se ele queria ver o que tinha dentro. Óbvio que sim. Entao tirei primeiro o saquinho de roupa suja, um pacote de absorvente, uma toalha... Ele ficou muito sem graca! Atrasou o voo por causa daquilo. Nem quis ver tudo, mandou eu ir embora.

Bendita bolsa azul! Eu, viajando feito uma maluca, pra cima e pra baixo, nunca mais tive problema com a minha bagagem. Certas coisas, só na Bota mesmo!

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Bom Filho a Casa Torna ?

Qualquer um que de uma olhada rápida pelo meu blog ve que eu tenho um certo trauma da Itália. Trauma esse causado por circunstancias específicas e pessoas pra lá de mal-intencionadas que estao pontuados ao longo das minhas memórias. Nao houve UMA determinada situacao que me fez desgostosa, foi sim um dia a dia complicado, sofrido e kafkaniano. A minha vida ficou atrelada a alguns lugares para sempre, e do LUGAR eu sempre gostei muito.

Já que eu tive que comer tanto capim para conseguir o mínimo do que fui buscar na Itália, eu hoje nao abro mao de um único direito, adquirido por nascimento, e reconhecido as custas do meu sangue.

Fui com o marido a Treviso e Veneza por uns dias. Eu tinha burocracia para resolver e meu lindo milhares de fotos para tirar. Aproveitei para andar por lugares que me assombram até hoje. Resolvi ir visitar o convento onde morava e o levei junto.

Bastou chegarmos a porta para ver que o lugar estava sendo demolido. No centro histórico voce pode demolir o interior do prédio, mesmo assim respeitando algumas características internas. Vi que muitas janelas estavam abertas, e fui olhando e reconhecendo os ambientes e mostrando ao meu marido, ali entao fazendo as vezes de escudo.



O lugar já era uma ruína quando morei lá, e muitas pessoas para quem eu dava meu endereco se surpreendiam que o Polacco estivesse aberto, pois foi ameacado de demolicao pelo comune várias vezes.
Piú avanti, fazendo uma caminhada de volta ao hotel, encontrei a velha governanta da casa. Perguntei pelas freiras e pelas senhoras que tomavam conta de tudo. Uma já tinha ido dessa pra melhor, outra muito doente, outra se mudou com a família. Mas eu me esqueci de perguntar pelas outras moradoras.
Sei que já desci do onibus em Piazza Duomo e sem uma palavra entrei. Chegamos precisamente no horário da missa na crypta, o que fez minha cabeca dar mil voltas e ir novamente a 2004. Chorei, chorei muito. Expiei toda frustracao que ficou entalada aqui dentro todos esses anos. Fui conversar com meu Velho Amigo. Meu marido só tinha me visto chorar assim quando falo do meu pai. Dessa vez eu chorava por mim, por tantas memórias e tantas frustracoes. Por ter sido "expulsa" da Itália sem o direito de viver nada do que havia sonhado e planejado.
A vida hoje mudou. MUITO. Sou outra pessoa e minha vida está em outro lugar, nem mais na Europa. Meu Amigo sabia o que fazia quando me botou Itália afora. Nossos planos nao sao nossos, pertencem a Ele. A Itália da minha vida foi a heranca da vida dos meus antepassados. Hoje para mim sobrou o passaporte que respeito muito e que talvez seja de alguma valia para meus filhos no futuro.
Esse capítulo da minha vida hoje está encerrado.
***



segunda-feira, 6 de abril de 2009

Terremoto na Itália

Do tempo que vivi na Itália eu passei por 2 terremotos, nenhum deles foi uma experiencia memorável, tanto que só me lembrei disso hoje ao ver o estrago acontecido no Abruzzo. E com isso talvez tenha entendido o comportamento histérico de algumas das 60 moradoras do convento.

A primeira vez eu estava em sala de aula. Se a aula me interessa, eu entro em transe e nao vejo nada em volta, totalmente focada no assunto do meu interesse. E por isso fiquei irritada com o tranco que levei na minha cadeira, olhei pro lado para reclamar e... nao tinha ninguém. Olhei para o resto da turma e todos estavam com os olhos arregalados. Nao entendi nada quando o Guido mandou todo mundo levantar e sair do prédio rápido. Era um terremoto. Voltamos a aula depois de meia hora. Nao sei o que passou pela minha cabeca, porque aquilo ali em nada se parecia com a ideia que eu tinha do que seria um terremoto. Mas se nunca havia estado no meio de um deles, como saber?

Uns dois meses depois eu estava no convento dormindo e sou acordada por gritos e murros na porta do meu box. "Cosa succede, pazze?" Tava furiosa, odeio ser acordada aos gritos.
- Terremoto! Terremoto!
- Nao to sentindo nada mexendo.
- Foi meia hora atrás.
- Me chama se balancar de novo.
- Cazzi tuoi!
- Ma va afanc...

Acho que das 60, umas 35 passaram a noite na rua, afastadas do prédio, mas se fazendo sentir presentes pelo volume de voz. No dia seguinte fiquei sabendo que a escandalosa que batia na minha porta havia perdido parte da família e a mae num terremoto, sei lá onde, se Basilicata, Puglia, algum lugar "giú". Muito embora nada tenha acontecido conosco ou na cidade de Treviso, a bichinha ficou em estado de choque uns 2 dias, levou uma cadeira reclinável e cobertor e passou a noite no quintal nos próximos dias. Quando fui me desculpar, ela comecou a chorar de nervoso. Como a aquela altura a minha má vontade com os italianos já era altíssima, o episódio serviu para eu baixar a guarda um pouco e ver que nem toda histeria era fruto de gente tresloucada. Naquela situacao, eu é que nao estava vendo "de onde eles vinham".

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Un Personaggio - Consuelo

Consuelo veio da "giú", como gostava de falar. Acho que "giú" era a Calabria mas nao tenho muita certeza. Ela chegou no convento junto com a mae, tinha acabado de se formar professora e o Estado a mandou para Treviso aguardar vaga. Ela era bonitinha, nada especial, uns 20 e pouquinho e tanta maquiagem no rosto que poderia dizer ter 50 fácil. Como vinha do interior, era muito inocente e tinha os hormonios borbulhando. Um dia até se mandou do convento as 5 da manha para ir a Bologna escondida, encontrar um "amigo virtual" que conheceu em algum chat. No meio do caminho desceu do trem e voltou atrás. Chegou no convento chorando: "O que meus pais vao pensar de mim!". Assim era a Consuelo.

Muito boazinha e prestativa. Tinha conselho para todo mundo. Mas também, como boa italiana, nao fala, URLA. Algumas vezes saí assustada do meu box achando que alguém batia nela no corredor, mas nao. Ela estava simplesmente contando uma história.

Bem, Consuelo tinha problemas para dormir, e perturbava todo mundo com isso. E onde é que ela dormia? No mesmo corredor de boxes que eu, claro. Na primeira noite to vendo um abajur que nao se apaga. Tinha que acordar cedo, mas a menina era nova entao nao queria incomodar. Achei que tivesse dormido de cansaco e esquecido de apagar luz. No dia seguinte perguntei. Resposta singela: "Tenho medo de escuro." - E eu com isso? Quer dizer que nao ia poder mais dormir? Como já tinha problemas suficientes naquela terra, resolvi colocar mascara de aviao para dormir. Mas as outras companheiras de corredor nao ficaram quietas (no que eu dei gracas a Deus). Arrumaram uma luzinha azul para Consuelo nao ficar na escuridao total e perturbar menos a gente.

Na primeira noite com a luz azul foi até tranquilo. Mas a mulherada falou tanto no ouvido da Consuelo, e riram tanto da cara dela que acho que ficou sem graca e tentou dormir sem a luz. Pra que! Ela ficava sonambula se nao tivesse luz. Dentro do box dela, com a porta trancada, as 3 da manha comecou a gritar chamando a Valentina. Valentina é a única italiana que conheci naquele lugar que nao era barraqueira. "Valentina! Valentina! Aiuto!!" "to caindo, Valentina, socorro!" "Eu nao quero ir, Valentina, me salva. Nao deixa, Valentina". Acenderam-se as luzes do convento, as 60 mulheres mais as freiras vieram para o nosso corredor saber o que estava acontecendo e uma outra débil mental dizendo para nao acordar porque senao ela morria, que nao se deve acordar sonambulo. Até que a freira apareceu com uma chave reserva, abriu o box, e a Consuelo sentada na cama toda descabelada, gritando e chorando. Levou uma sacudida que nao sei como o cérebro nao pulou fora do cranio. Acordou. Perguntou o que estava acontecendo, porque tanta gente estava ali no corredor? Metade do mulherio riu, outra metade saiu xingando.

Coitada da Valentina, tinha prova final no estágio dela na manha seguinte. Nem sei se passou. Mas o raio da lampadinha azul nunca mais foi apagada a noite.

***

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Convento e seus personagens

Lá na Itália foi um período de observacao humana muito interessante. Nao tinha muitos amigos, mas me dava bem com algumas pessoas que moravam no pensionato comigo.

O pensionato, que frequentemente chamo de convento, era administrado por freiras. Um palacete do séc.XIX de quatro andares no centro de Treviso. Além das freiras e irmas consagradas moravam lá dentro mais 60 mulheres. Quase todas "terrone", vinham do Sul da Itália em busca de trabalho e sustentavam a família que ficava por lá. Imagina a Ópera que era o dia-a-dia naquela casa. Confesso que me cansava e buscava o silencio na capela, onde passava horas rezando nas madrugadas de insonia.

As nossas acomodacoes variavam conforme o andar onde morávamos. Eu era das mais arriadas, entao morava no andar dos boxes - saloes enormes, de um antigo casarao de dama da sociedade trevigiana, foram divididos por divisórias de madeira que iam até 1.80m de altura. Facilitava a comunicacao, era só ficar de pé na cama para falar com a vizinha. Volta e meia me assustava com uma cabeca me olhando por cima do armário.

Em cada andar tinham 2 banheiros com privada e chuveiro de água fria. Água quente havia só em 1 chuveiro no térreo, depois do banheiro das freiras. Mas como italiano nao é muito chegado em banho, muitas vezes nao havia nem fila para o chuveiro. Só que eu tenho vocacao para atrair encosto, entao tinha um raio de uma professora calabreza que ficava com a roupa dela na mao zanzando pelo corredor. Era só eu entrar no chuveiro para aquela coisa vir bater na porta feito uma louca dizendo que eu estava gastando água demais. Isso podia ser tanto 6 da manha, quanto 10 da noite. Entao, eu passei a tomar meu banho ou 5:30 da manha, ou meia-noite.

Eu tinha fama de porca entre as italianas porque lavava roupa só uma vez por semana. Nao adiantava explicar que tomando banho todo dia, a roupa nao fede. Mas se voce tomar banho uma vez por semana, nao tem jeito, sua roupa vai ficar podre. Agora, as freiras cobravam 6Euros por máquina de lavar roupa - que era minúscula, acho que 5Kg só. Entao, as loucas lavavam roupa no tanque, no corredor dos boxes todos os dias e os varais viviam cheios de roupa. E no dia que eu lavava as minhas, elas vinham reclamar comigo porque eu usava um varal inteiro sozinha...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Primeiro Salame a Gente Nunca Esquece

Mais um post da série: Porque eu tenho asco da Itália.

Estava eu tranquila da minha vida no convento em Treviso, sem muitas amizades e sem maiores aborrecimentos, só esperando o dia das minhas aulas comecarem. Mary, a australiana louca - eu tenho uma vocacao para me relacionar com loucos que vou te contar. Eles com certeza pensam o mesmo de mim - me ligou para dizer que tinha passado o meu contato para um amigo dela que morava em Pádua. Oba, vou ter alguém pelo menos para almocar junto de vez em quando, pensei. Errado! Quando vi o sujeito na praca tinha um luminoso em Neon na testa piscando "ENCRENCA". Tem louco que voce so percebe com a convivencia, mas tem outro tipo de louco que voce ve estampado na cara. Esse indivíduo era do segundo tipo. Que ódio da Mary!!!

O sujeito veio me dizer que a Mary tinha contado tudo a meu respeito para ele (como assim?!?!?!?!?). Eu vi que aquilo nao ia acabar bem e disse que precisava ir embora para ver onde ficava a escola porque ia ter entrevista dali a 2 dias e queria conhecer o caminho antes. Big mistake. Pensando que ia me livrar, ele é do tipo louco grude, disse que me levava la de carro. Como eu estava latindo para economizar cachorro, eu nao tinha condicoes de recusar a oferta. Fui. Mas morrendo de medo.

Até que ele me levou direitinho, só que na volta ele parou para tomar sorvete no meio da estrada, porque a carcamana da Mary havia dito a ele que eu achava isso romantico... A última coisa que eu estava querendo naquela situacao era romance. Se eu soubesse que teria que encarar uma daquelas eu juro que nao teria nem tomado banho, nem colocado desodorante para sair de casa. O cabelo nao pentearia também. Só para ver se assim ele parava de querer chegar perto. Dei um ataque e disse que queria ir embora imediatamente porque o convento fechava as 7 da noite para quem nao trabalhava fora. Óbvio que era mentira. Mas como aquela coisa era católico fervoroso, na definicao dele próprio, ele disse que nao queria me meter em encrenca.

Voltei a Treviso. Suava frio no carro - também, quem mandou? Na porta do convento ele disse que a Mary havia falado pra ele que eu estava "desesperada" para arrumar um namorado e que ele parecia o homem ideal pra mim. Naquela hora, se a Mary aparecesse na minha frente eu daria uma surra e furava os olhos dela!!!! Tentei ser educada ao máximo e agradeci ter me levado na escola (longe pra burro, em Conegliano Veneto), e sumi convento adentro.

A noite ele me telefona - burra, esqueci de salvar o número como "nao atender". Disse que no domingo teria festa na cidade dele e que queria me levar para apresentar a mae dele. E disse também que teria a tarde livre no dia seguinte se poderia me ver. É claro que nao. Arrumei emprego na vendemia - em pleno abril - e ele disse que entendia sim. Ia deixar um presente pra mim no convento mesmo assim.

Vendemia só em setembro ou outubro dependendo das chuvas e do tipo da uva. Tratei de sumir do convento a tarde e me enfiei na biblioteca até a hora de fechar as 9 da noite para nao correr riscos. Nem a missa da tarde nao fui para nao ser entocaiada na rua. Quando cheguei de volta, tinha um burburinho na sala das freiras e cheio de terun por lá as gargalhadas. Imagina o barulho. Isso as 9 da noite. Como eu nao gosto dessas coisas, fui subindo pro meu quarto de fininho mas alguém me viu. "Vittoria, vienni qui, subitto!" Lá vou eu.

O carcamano deixou uma caixa e umas instrucoes com as freiras: Fala pra Vittoria que eu fiz esse salame especialmente pra ela e ficou secando por meses (como assim se só ouvi falar dele 3 dias antes?). Me pegaram para Judas mesmo. Ou entao atirei pedra na cruz. Nao tinha uma única professora daquele casarao que nao soubesse dessa história e todo mundo quando me via caia na gargalhada. O salame era DEEEEEESTEEEEE tamanho. Durou 4 meses. E o cartao SIM do telefone foi pro lixo depois de 2 meses tocando sem parar e eu ameacando chamar carabinieri para denunciá-lo como stalker. Ainda bem que ele nunca mais me apareceu no covento novamente.


sábado, 13 de dezembro de 2008

Italiano é macho cho pra chuchu

Eu tinha uns conhecidos na Itália quando cheguei lá para morar. Gostava daquela gente e achava que poderíamos ser amigos. Até que a coisa desandou...

A Ornella, que é quem eu conheci primeiro, me levou para jantar com dois amigos dela. Um deles era um arquiteto renomado e casado. Fomos para um restaurante bem legal e ficamos comendo e bebendo até tarde. Até que uma hora o arquiteto me perguntou se eu faria um favor a ele.
- Se eu puder, claro.
- Eu tenho uma conta de hotel em Londres que tem uma lista de telefonemas enorme. Eu queria saber de onde sao aqueles telefones, mas eu nao falo ingles direito. Se voce fizer isso pra mim, eu pago a conta do seu celular e mais um dinheiro pelo seu tempo e o trabalho de fazer isso.

Isso é coisa que eu faria sem cobrar nada, imagina. Mas a Ornella me explicou a situacao: ele, casado há quase 30 anos, tinha arrumado uma namorada russa de 19 anos e queria largar a família por causa daquela coisa. E a tal da russa se encontrava com ele, com tudo pago, uma vez por mes em Londres, e os telefonemas foram dados por ela no hotel onde ficavam, e ela sempre chegava com alguns dias de antecedencia. Desaforo. Chifrando a mulher e ainda por cima gastando dinheiro a rodo com vagabunda russa. Tive que cobrar,, e caro por uma história que eu já tinha uma boa idéia de onde ia parar. Eu precisava do dinheiro e ele era cretino o suficiente para gastar com idiotice. Pois bem, fiz uma planilha com o resultado para esfregar na cara do idiota.

Primeiro numero: agencia de escort, segundo: club de strip, terceiro: casa de massagem, quarto: agencia de "modelo", e coisas do tipo até o 12o número. Alguma dúvida de que seria isso? Anotei hora da chamada, nome de quem atendia (quando falavam algum), descricao do negócio e respectivo email e website, caso encontrasse algum no google. Contei pra ele. Chorou muito. Pagou o combinado. E nunca mais nem me cumprimentou na rua...

É otário porque quer. Metido a malandro, traindo a mulher e ainda quer apoio? Aqui ó!!!!!!

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O dia que fui "sequestrada" na Itália

O tempo vai passando e o trauma vai ficando engracado. A Itália me fez perder todo o bom humor que sempre tive, e muito aos poucos as coisas vao melhorando. Talvez eu ache graca de tudo quando chegar aos 99...

Já contei aqui da marilyn-monroe-super-trash-italiana Loredana. Figuraca impagável, dificil descrever, tipo da criatura que só vendo para saber que nao estou exagerando. Nos aproximamos por um amigo em comum, e como amizade era a commodity mais rara na Itália, eu topava qualquer convite, senao passava dias sem ter nem com quem trocar um buon giorno.

Eu estava quebrada, sem um puto no bolso, e dependia de meia-duzia de aulinhas de ingles e da bolsa da pós para sobreviver. E sem ir a aula nao tinha nem dinheiro, nem comida, pois o ticket-refeicao era dado com uma semana de atraso, de acordo com a presenca na semana anterior. Eu nao faltava porque sou CDF mesmo e que se dane quem acha que estou errada. Adorava ir a aula - poxa, era um dos poucos prazeres que tinha naquela terra da polenta com urtiga.

Loredana um dia me convida para ir a uma boate. Dancar é praticamente o paraíso na terra para mim, claro que topei, mas perguntei antes se era lugar de salsa porque eu O-DEI-O. Ela me garantiu que nao. E nao podia ser muito caro tambem, meu budget total para o noite era de 25euros, ou eu nao teria o que comer pelo resto da semana. Tudo bem, tudo acertado, ela disse que era lugar de gente bonita, que eu ia gostar, etc, etc.

Estavamos em Padova, e ela se encaminha para a campagna... E dirige, dirige, dirige, dirige e dirige mais um pouco. No meio do nada tinha uma luz e uma tenda branca. Quando saí do carro tinha barulho de... SALSAAAAAAAAAAARRRRRRRRGGGHHHH! Quero minha maaaaaaaaaaaeeeeeeeeeee!!!!!!!!

Entrada: 35Euros, musica: salsa e forro, frequencia: os marroquinos mais feios e fedidos da face da terra e mulherada esquisita de vestido de oncinha, bebida: caipirinha de Marimbondo misturada por barman Albanes. Nao tem preco! Aquele raio de lugar era o sonho de qualquer guardinha da Questura na terra da Lega Norde. Ninguém merece! Já estava lá mesmo e sem chance de escapar, pedi uma vodka dupla com RedBull, pelo menos ia me manter acordada para tomar conta da carteira.

Voltei a casa da Loredana as 4 da manha, para levantar as 7 e pegar o trem para ir a aula. Ela falou "fica tranquila eu te levo na estacao quando sair pro trabalho". Onibus as 7 da manha em Padova nao é fácil.

Entrei no carro, pegamos a estrada em direcao oposta a estacao, ela entrou na auto-estrada e pegou a via que indicava "Bologna". Ai meu Pai do Céu, o que vem agora? "Estamos indo a praia em Riccione porque voce tá muito estressada, só pensa em estudar, precisa se divertir um pouco". Riccione? Que raio é isso? "É uma praia perto de Rimini, mas é muito melhor frequentada". TO FU....! De onde voce tirou essa idéia de que eu preciso ir a praia? Eu quero ir a minha aula, to atrasada. Nao tenho nem dinheiro para cair na estrada hoje porque voce já me quebrou ontem. "Ah é, a gasolina é cara, sai 3oEuros para cada uma porque o caminho é longo, sao 4 horas até chegar lá". Como é que é???????? Hoje nao é meu dia. Aliás, nem a semana. Por que eu fui sair do Brasil? Loredana, eu nao tenho nem biquini. "Tem sim, eu coloquei tudo na mala do carro e um picnic também, assim a gente nao gasta dinheiro com comida no caminho". Grande consolo...

Pois é, saí de casa na quarta-feira as 5 da tarde, só consegui voltar na sexta as 6:30 da manha, sendo que o meu trem saia as 7:30. E eu morava num convento, onde TODAS as explicacoes tinham que ser dadas. Depois disso tudo, ainda tive que encarar cara feia de freira... Meus sais!

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Onde ainda me aperta a Bota

O trauma que a Italia inflingiu em mim nao vai sumir tao cedo. Meu blog amigo BRASIL NA ITALIA publicou hoje um relato da minha experiencia de estudo na Italia.

O meu curso foi o melhor que me aconteceu enquanto eu vivi lah. E a sala de aula o unico lugar onde eu me sentia um ser humano naquela terra.

Juro que quis escrever um relato positivo, mas alem do curso, o unico ponto positivo de morar na Italia eh ter uma Igreja por metro quadrado naquela cidade minuscula onde vivi. Os padres e freiras foram as unicas pessoas a me tratarem com respeito fora da sala de aula. Dentro da Igreja mesmo, os leigos italianos enquanto pensavam que eu era inglesa eram soh sorrisos pra mim. No minuto que eu dizia que era brasileira todos os sorrisos se dissipavam.

Se voce pensa em ir para a Italia, boa sorte. Que tenha mais sorte que eu. A Italia nao era mesmo pra mim.

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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

O Furacao Loredana e suas consequencias

Quando morei na Italia fui apresentada a figura mais exotica que pode existir por lah: Loredana, 60 anos - jura que ainda tem 15-, visual trash Marilyn Monroe. As saias que ela usa sao mais curtas do que as que eu mesma usava quando tinha 15 anos. Acho que dah uma ideia do que eh a figura. Soh que o mais impressionante dela eh a energia: se nao a conhecesse bem podia jurar que vive a base de po - ela nao para quieta!

Lore vem a Londres 2 vezes por ano com seus alunos – eh professora de ingles em Padua – passa o dia fazendo City Tour e a noite quer ir pra farra... Da ultima vez que esteve em Londres ela me pediu para ir em algum lugar mais sofisticado, o que obviamente nao fica no West End cheio de turistas. Quem disse que consegui convence-la? Por nada! Acabou que o “sofisticado” que ela cismou foi no Soho mesmo, num “O’Neals” da vida... Alem de figuraca, quando mete uma coisa na cabeca empaca mais do que 3 mulas juntas...

Bem, ela eh divertida, dah uma certa canseira mas encaro essas visitas dela como um sacrificio pela amizade. Juro, nao tenho energia para fazer metade do que ela faz. Levei essa vida lah pelos meus 20 anos – sair da faculdade, ir pro bar, beber ateh de manha, levantar as 8h para ir as aulas, emendar faculdade a noite, sair pra beber, e tudo de novo... Mas agora aos 30 e poucos, nao da! Se faco isso num dia, preciso descansar 2 – fora que nao acho mais tanta graca assim.

Sexta-feira saimos. Fui ao pub com meus amigos do trabalho primeiro, depois fui encontra-la. Adivinha onde o furacao queria ir? Tiger Tiger. Esse club eh o que os ingleses chamariam de “tacky” e um nova iorquino de “bridges and tunnels bar”. Nao eh pra mim, a frequencia eh um pouco ecletica demais pro meu gosto. Mas eh perfeito para Loredana. Acabei chegando em casa as 5 da manha, e mal podia andar porque estava de botas novas e elas estavam me matando... Passei o dia assistindo DVDs e a noite soh queria comer e dormir. Mas Loredana saiu de novo, depois de passar o dia com os alunos num tour pelo Camden Market... Inacreditavel!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Estranha Italia

Mal cheguei e jah resolvi: minha vida eh mesmo em Londres. Chega de Italia e polentones. Pensei muito, rezei outro tanto, conversei com meus amigos, e por fim, as ofertas de emprego... A Italia nao eh receptiva para uma mulher que vive sozinha e tem cultura... As pessoas sao desconfiadas, e pensam sempre que vc eh um estupido pq nao pode falar sem sotaque... Jah consegui o que queria e precisava daqui: cidadania europeia e pos-graduacao. Nao quero mais nem saber de encontrar familia perdida pq o pessoal da terra do meu bisavo foi muito mal-educado comigo. Basta. Agora eh recomecar em Londres. Que Deus me ajude, porque eu tenho certeza que foi isso que Ele falou no meu ouvido...

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Carta a um amigo no Brasil

Ha quanto tempo nao nos falamos... Penso que da ultima vez eu estava em Londres e lhe contava sobre a pesquisa das minhas raizes italianas... Bem, a vida muda e as vezes nao temos o menor controle sobre o que acontece... Encontrei documentos que faltavam, aprendi italiano "a forca" e hoje estou aqui, morando perto de Veneza. Aconteceu tudo meio de repente, peguei minha papelada e vim tentar fazer a cidadania porque nao era mais possivel renovar visto para ficar na Inglaterra...

Um ano depois eu sou cidada italiana, estou terminando um curso de Marketing e Gestao da Qualidade para Empresa Enologica, e trabalho em Valdobbiadene, a terra do Prosecco DOC. Mas tem alguma coisa que nao funciona aqui, eu nao me sinto feliz neste lugar... Isso aqui me traz as mesmas sensacoes que tinha no Brasil: olhos tristes, meio depressiva... Eh tao estranho, porque as pessoas me falavam que isso aconteceria em Londres, e no entanto lah eu me sentia tao feliz, estava sempre bem, realmente em casa. Penso de terminar o curso e voltar pra lah... Comecar do zero pela terceira vez!!!! Serah que tenho forcas?

Evito olhar as noticias sobre o Brasil na Internet. Acho que estou me isolando do mundo (em compania de um calice de vinho...). Nao estou melhorando meu italiano e estou nitidamente perdendo meu portugues e meu ingles. O frances jah foi e o espanhol nao sei mais nem come eh...

A ultima noticia que tive de voce foi numa pesquisa que fiz na Google e digitei seu nome, falava do lancamento de um livro e uma mesa redonda em algum lugar... Estah tudo bem por ai? Ainda tenho as minha espectativas com o Lula... Lembrancas para a familia.

Fique com Deus. Um abraco,Vitoria.

terça-feira, 12 de outubro de 2004

Italia, Italia...

Eu jah chorei, me zanguei, passei frio e fome, perdi meu sangue, minha alegria e quase a esperanca... Soh que hoje veio a recompensa... SOU CIDADA ITALIANA e isso ninguem nunca mais pode tirar de mim!

Espero que o sacrificio tenha valido a pena. Estou indo comemorar com um bom calice de Prosecco, porque esse eu mereco merrrrrrrrrrrrmo!!!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2004

A Italia eh mal-assombrada...

Eh serio! Tudo nesta terra eh esquisito... As igrejas sao cheias de gente e vazias de Deus... Tem soh uma semana que voltei das minhas ferias na Inglaterra ( e que foram pra lah de turbulentas) e nao tive sossego desde que cheguei... Pensei, pensei, pensei... E cheguei a seguinte conclusao: as ondas emigratorias que tiveram nesta terra de polentones fizeram o Veneto perder mais da metade da populacao original. Ou seja, quem era sangue bom, se mandou. E aqueles, que de tao podres nem conseguiam sair do lugar, ficaram... Hoje vc encontra isso que tah aqui. Prosperidade na Italia? Of course! Com o dinheiro enviado por aqueles que foram embora, nao pelo trabalho dos que ficaram. Experimenta entrar numa reparticao publica...

sábado, 31 de julho de 2004

Em casa, finalmente...

7 horas Treviso-Londres... Eh isso mesmo, nao estou louca nao. Esperava estar na cama, dormindo a 1h da manha em Kensington, na casa de uma amiga e acordar refeita para fazer algumas das milhares de coisas que preciso resolver por aqui... Nao deu. Cheguei as 6h, bebada de sono e cansaco, com a mochila nas costas e sem conseguir raciocinar direito...

Eh bela a Italia... O aviao que deveria ir para Treviso foi para Trieste, e nos, passageiros, tivemos que entrar no onibus para ir encontra-lo lah na fronteira... Posso citar essa como uma das inumeras vantagens de viajar "no-frills" com a Ryanair...

Preciso agora de Covent Garden, Ronie Scotts e uma Guiness pq nao sou de ferro. Estou feliz pq cheguei...

segunda-feira, 19 de julho de 2004

Bota numero 35

Mas eu calco 36... Esta bota nao eh o meu numero, tah fazendo muito calo. Estou de saco cheio e passagem comprada pra Londres dia 30/07, depois de uma sessao de degustaco de vinho na Scuola... O que serah de mim...

Alias, alguem sabe onde foi parar o blog da Marina, na Suecia? To sentindo falta...

sábado, 19 de junho de 2004

Vida Boa

Sem duvida muito melhor agora... Larguei a "Carga Pesada" e voltei a TReviso de onde nunca deveria ter saido...

Comecou o meu curso e agora soh quero saber de vinho e Marketing... Com um calice de Prosecco, please...

segunda-feira, 14 de junho de 2004

Velha depravada

Tentei arrumar um bico para melhorar a situacao aqui na Italia... Nao funcionou. Este povo eh mais louco do que aparenta a primeira vista...

Uma amiga me ofereceu se eu queria dormir na casa da mae dela, pq a senhora ia mesmo pagar alguem pra isso, assim me ajudava. Bem, a otaria aqui foi, com a condicao de que minha unica obrigacao seria dormir e mais nada. Ela havia tido um infarte e tinha medo de precisar de alguma coisa, assim poderia soh me chamar e eu faria o resto. Bem, eu acostumada a Londres onde ninguem se mete na sua vida, fui. Cheguei lah, a velha queria saber tudo o que eu fazia, meus horarios, a que hora chegava na casa de volta a noite, pq dormia tarde, que deveria apagar a luz, o que tanto eu fazia na Igreja, porque tomava 2 banhos por dia, se tinha doenca de pele, porque sai de casa, porque nao era casada, porque estava estudando sobre vinho, porque sabado a tarde estava em casa, porque passei o dia lendo, porque nao levava a sua neta para dar uma volta, porque lavava prato com a bucha, porque comia soh a pasta, sem o segunto piato - em suma: UMA BRASILEIRA DEPRAVADA NA SUA CASA!

Vontade de mandar a velha a M. e todas as suas variantes nao me faltaram... Saida da missa de Santo Antonio, na basilica do Santo em Padova, ligo pra velha e ela me pergunta porque levei tanto tempo na missa, se por acaso tava ajudando o padre a se trocar. Aih, terminou a minha tortuosa semana na casa da velha, porque o meu ouvido nao eh penico, a minha paciencia nao eh de Jo, e eu ainda nao preciso de aparelho para surdez. E ainda, a minha mae me ensinou a respeitar os mais velhos, eu nao poderia dar uma surra nela...

Tudo tem limite. Se continua assim, ateh a minha estadia na Bota.

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