Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Bom Filho a Casa Torna ?

Qualquer um que de uma olhada rápida pelo meu blog ve que eu tenho um certo trauma da Itália. Trauma esse causado por circunstancias específicas e pessoas pra lá de mal-intencionadas que estao pontuados ao longo das minhas memórias. Nao houve UMA determinada situacao que me fez desgostosa, foi sim um dia a dia complicado, sofrido e kafkaniano. A minha vida ficou atrelada a alguns lugares para sempre, e do LUGAR eu sempre gostei muito.

Já que eu tive que comer tanto capim para conseguir o mínimo do que fui buscar na Itália, eu hoje nao abro mao de um único direito, adquirido por nascimento, e reconhecido as custas do meu sangue.

Fui com o marido a Treviso e Veneza por uns dias. Eu tinha burocracia para resolver e meu lindo milhares de fotos para tirar. Aproveitei para andar por lugares que me assombram até hoje. Resolvi ir visitar o convento onde morava e o levei junto.

Bastou chegarmos a porta para ver que o lugar estava sendo demolido. No centro histórico voce pode demolir o interior do prédio, mesmo assim respeitando algumas características internas. Vi que muitas janelas estavam abertas, e fui olhando e reconhecendo os ambientes e mostrando ao meu marido, ali entao fazendo as vezes de escudo.



O lugar já era uma ruína quando morei lá, e muitas pessoas para quem eu dava meu endereco se surpreendiam que o Polacco estivesse aberto, pois foi ameacado de demolicao pelo comune várias vezes.
Piú avanti, fazendo uma caminhada de volta ao hotel, encontrei a velha governanta da casa. Perguntei pelas freiras e pelas senhoras que tomavam conta de tudo. Uma já tinha ido dessa pra melhor, outra muito doente, outra se mudou com a família. Mas eu me esqueci de perguntar pelas outras moradoras.
Sei que já desci do onibus em Piazza Duomo e sem uma palavra entrei. Chegamos precisamente no horário da missa na crypta, o que fez minha cabeca dar mil voltas e ir novamente a 2004. Chorei, chorei muito. Expiei toda frustracao que ficou entalada aqui dentro todos esses anos. Fui conversar com meu Velho Amigo. Meu marido só tinha me visto chorar assim quando falo do meu pai. Dessa vez eu chorava por mim, por tantas memórias e tantas frustracoes. Por ter sido "expulsa" da Itália sem o direito de viver nada do que havia sonhado e planejado.
A vida hoje mudou. MUITO. Sou outra pessoa e minha vida está em outro lugar, nem mais na Europa. Meu Amigo sabia o que fazia quando me botou Itália afora. Nossos planos nao sao nossos, pertencem a Ele. A Itália da minha vida foi a heranca da vida dos meus antepassados. Hoje para mim sobrou o passaporte que respeito muito e que talvez seja de alguma valia para meus filhos no futuro.
Esse capítulo da minha vida hoje está encerrado.
***



5 comentários:

UM BRASILEIRO disse...

Prezada Vicky,

Na vida, circunstancialmente, devemos separar o joio do trigo do nosso passado, para prosseguirmos em paz.

O passado bem vivido deve ser sempre enaltecido. Já, o sofrido, este merece uma pá de cal, definitiva...

Um grande abraço,

CríticoBR
http://vidainteligente-br.blogspot.com

Barreto disse...

É importante darmos um fim no passado para se viver bem um presente.

Sorte

Brasil na Italia disse...

Oi Vicky,

A vida é um prosseguir contínuo, deixamos para trás o que não nos interessa e carregamos conosco apenas o que importa e nos faz feliz.

O peso de carregar tudo é excessivo e é melhor viver leve.

A vida nos guia para onde devemos ir. Quando aceitamos de bom grado a direção, tudo acontece facilmente. Quando insistimos em uma direção que não é a nossa, tudo se complica.

Boa sorte para todas nós!

CP disse...

Vicky,gostei de seu blog.Morei em Londres,e estou querendo passar um tempo na Itália.Fui rapidamente lá e adorei.Quanto a Londres,morei um bom tempo lá,e conhecí gente boa e também gente grossa e mau educada.E ao contrário do que você diz sobre a Itália,em Londres realmente ninguém quer saber nada sobre você,nem se você está vivo ou morto, por exemplo.Tenho amigos que não trocariam sua vida na ensolarada Itália por Londres, nunca.É uma questão de gosto, certo?Mas mesmo não conhecendo ainda minha "outra" Pátria como deveria, tenho orgulho e amor pelo país que generosamente e diferente de outros países tem memória,e coração para reconhecer seus descendentes calorosamente como Cidadãos Filhos da Terra.Problemas?Qual país não tem?Pessoas boas e ruins,chatas,interessantes ou não,encontraremos em qualquer parte do Mundo.

Vicky disse...

CP,

Eu também fui muito a Itália antes de morar lá. E como voce eu também pensava "tenho orgulho e amor pelo país que generosamente e diferente de outros países tem memória,e coração para reconhecer seus descendentes calorosamente como Cidadãos Filhos da Terra". Cuidado. Essa memória está na lei, nao nas pessoas. Ninguém te ve como Italiano, por mais amor que voce tenha a sua história. Se voce é descendente do Sul, o pessoal de lá "costuma" receber bem. Se voce é descendente do norte, como eu, nao espere sorrisos ou ajuda porque as chances de sair decepcionado é altíssima.

Nao só eu morei na Itália como morei com italianos por muitos anos. Vai com calma. To falando de coracao.

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