Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Primeiro Salame a Gente Nunca Esquece

Mais um post da série: Porque eu tenho asco da Itália.

Estava eu tranquila da minha vida no convento em Treviso, sem muitas amizades e sem maiores aborrecimentos, só esperando o dia das minhas aulas comecarem. Mary, a australiana louca - eu tenho uma vocacao para me relacionar com loucos que vou te contar. Eles com certeza pensam o mesmo de mim - me ligou para dizer que tinha passado o meu contato para um amigo dela que morava em Pádua. Oba, vou ter alguém pelo menos para almocar junto de vez em quando, pensei. Errado! Quando vi o sujeito na praca tinha um luminoso em Neon na testa piscando "ENCRENCA". Tem louco que voce so percebe com a convivencia, mas tem outro tipo de louco que voce ve estampado na cara. Esse indivíduo era do segundo tipo. Que ódio da Mary!!!

O sujeito veio me dizer que a Mary tinha contado tudo a meu respeito para ele (como assim?!?!?!?!?). Eu vi que aquilo nao ia acabar bem e disse que precisava ir embora para ver onde ficava a escola porque ia ter entrevista dali a 2 dias e queria conhecer o caminho antes. Big mistake. Pensando que ia me livrar, ele é do tipo louco grude, disse que me levava la de carro. Como eu estava latindo para economizar cachorro, eu nao tinha condicoes de recusar a oferta. Fui. Mas morrendo de medo.

Até que ele me levou direitinho, só que na volta ele parou para tomar sorvete no meio da estrada, porque a carcamana da Mary havia dito a ele que eu achava isso romantico... A última coisa que eu estava querendo naquela situacao era romance. Se eu soubesse que teria que encarar uma daquelas eu juro que nao teria nem tomado banho, nem colocado desodorante para sair de casa. O cabelo nao pentearia também. Só para ver se assim ele parava de querer chegar perto. Dei um ataque e disse que queria ir embora imediatamente porque o convento fechava as 7 da noite para quem nao trabalhava fora. Óbvio que era mentira. Mas como aquela coisa era católico fervoroso, na definicao dele próprio, ele disse que nao queria me meter em encrenca.

Voltei a Treviso. Suava frio no carro - também, quem mandou? Na porta do convento ele disse que a Mary havia falado pra ele que eu estava "desesperada" para arrumar um namorado e que ele parecia o homem ideal pra mim. Naquela hora, se a Mary aparecesse na minha frente eu daria uma surra e furava os olhos dela!!!! Tentei ser educada ao máximo e agradeci ter me levado na escola (longe pra burro, em Conegliano Veneto), e sumi convento adentro.

A noite ele me telefona - burra, esqueci de salvar o número como "nao atender". Disse que no domingo teria festa na cidade dele e que queria me levar para apresentar a mae dele. E disse também que teria a tarde livre no dia seguinte se poderia me ver. É claro que nao. Arrumei emprego na vendemia - em pleno abril - e ele disse que entendia sim. Ia deixar um presente pra mim no convento mesmo assim.

Vendemia só em setembro ou outubro dependendo das chuvas e do tipo da uva. Tratei de sumir do convento a tarde e me enfiei na biblioteca até a hora de fechar as 9 da noite para nao correr riscos. Nem a missa da tarde nao fui para nao ser entocaiada na rua. Quando cheguei de volta, tinha um burburinho na sala das freiras e cheio de terun por lá as gargalhadas. Imagina o barulho. Isso as 9 da noite. Como eu nao gosto dessas coisas, fui subindo pro meu quarto de fininho mas alguém me viu. "Vittoria, vienni qui, subitto!" Lá vou eu.

O carcamano deixou uma caixa e umas instrucoes com as freiras: Fala pra Vittoria que eu fiz esse salame especialmente pra ela e ficou secando por meses (como assim se só ouvi falar dele 3 dias antes?). Me pegaram para Judas mesmo. Ou entao atirei pedra na cruz. Nao tinha uma única professora daquele casarao que nao soubesse dessa história e todo mundo quando me via caia na gargalhada. O salame era DEEEEEESTEEEEE tamanho. Durou 4 meses. E o cartao SIM do telefone foi pro lixo depois de 2 meses tocando sem parar e eu ameacando chamar carabinieri para denunciá-lo como stalker. Ainda bem que ele nunca mais me apareceu no covento novamente.


2 comentários:

Brasil na Italia disse...

Poxa Vicky, coitadinho do salame! rs! Mas que a amiga era uma inimiga, fala sério, tem coisa mais horripilante do que alguém que diz que você está desesperada? Faça me o favor...

Por falar em amigo, resolvi deixar um selinho (meme) para você lá no blog. Depois passa lá!

E a Italia é LINDA! hahaha

Vicky disse...

Nao contei metade do que me aconteceu com esse carcamano... Mary, a louca, se meteu em mais confusao com outros "amigos" que conheceu na Itália.

A Itália é realmente linda, mas precisava mesmo ter italiano lá dentro?

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