Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



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domingo, 1 de maio de 2011

NEPHU - Niteroi Precisa do Seu Socorro

Ler a notícia Niterói tem déficit habitacional de 20 mil moradias - Bairros.com: O Globo me deixa extremamente irritada, pena que nao me cause surpresa. Ou alguém esperava uma atitude diferente da prefeitura? Contratar gaúchos para pensar o planejamento urbano de Niterói, no Rio de Janeiro? Gente que nunca esteve lá, nao conhece nossa realidade, nao tem contatos com liderancas locais, nao sabe da nossa história, nada.


Ridícula a iniciativa quando existe em Niterói o NEPHU - Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, na UFF, com todo o mapeamento da cidade e vários projetos prontos para a solucao de moradias de baixa renda em vários pontos da cidade. E tudo feito por quem mora na cidade e tem o maior interesse em ver a situacao resolvida.  Eu já falei sobre o NEPHU em outro post aqui.  Regina Bienenstein é reconhecida inclusive pela própria prefeitura de Niterói como uma das maiores autoridades em planejamento urbano e habitacao do Brasil.  E mesmo assim os governos municipais e estaduais sempre ignoram qualquer proposta para a solucao dos problemas urbanos mais graves e urgentes.


Regina Bienenstein, reitor Roberto Salles e Vinícius de Moraes Neto


O NEPHU comecou a partir de um apelo de moradores da Favela do Gato, em Sao Goncalo, RJ, em 1982. Situada as margens da Baía de Guanabara, uma pequena comunidade de pescadores estava sendo ameacada de ser removida pelo governo federal - e assim deixando a maioria das famílias sem direito a continuar seu trabalho com a pesca e sem moradia. Em plena ditadura militar, iniciou-se o que parecia impossível, um trabalho conjunto que convencesse o governo a mudar o tracado da estrada Niterói-Manilha, de forma a manter aquelas pessoas no seu lugar de origem e de trabalho. Esses pescadores foram a UFF pedir ajuda nas Faculdades de Arquitetura e Engenharia, e alguns professores se mobilizaram. Assim nasceu um trabalho maravilhoso, reconhecido nao só por comunidades locais, mas também internacionalmente

O NEPHU conta com o apoio de várias comunidades carentes e seus líderes, e acesso a esses lugares, além do reconhecimento das populacoes locais, o que facilita e muito qualquer tipo de intervencao governamental. A contratacao de "forasteiros" para um plano habitacional só mostra a falta de intencao da prefeitura em resolver da melhor forma para a populacao-alvo.  
Lamentável.


Muitos desses projetos já existem há muitos anos, feitos a pedido de comunidades que reconhecem o comprometimento da equipe da UFF em resolver questoes visando o bem-estar da populacao.  Populacao essa que é tratada  com respeito pela Universidade, todas as suas reivindicacoes e críticas sao ouvidas e levadas em consideracao no andamento dos projetos. Todas as suas dúvidas sao esclarecidas, nada é feito sem o consentimento dos moradores envolvidos nos projetos.  Há projetos de moradias de baixo custo, projetos de  eliminacao de risco, reflorestamento para contencao de encostas, entre muitos outros, e tudo isso sempre foi desprezado pela prefeitura e pelo governo do estado - nao raro, os próprios contratantes dessas pesquisas. 


As solucoes existem e muitas vezes a baixo custo. No entanto, o poder público nao está interessado, é um trabalho que nao rende votos, nao traz visibilidade "no asfalto". Vao ao Rio Grande do Sul, acompanhados de fanfarras, contratar gente que precisa primeiro saber onde fica Niterói, para depois fazer um projeto de gabinete, com precos super faturados, expulsando moradores das áreas de interesse da especulacao imobiliária, juntando famílias em cubículos de 20m2 e chamando isso de habitacao popular.


Já vi esse filme antes. Nao apoio e nao gosto. Eu sei como termina.


Regina, FAMNIT, será que ainda podemos fazer alguma coisa por Niterói?  Precisamos de voces!


***

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