Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Reminiscencias de um Rio que já foi


Final da déc. 40, início dos anos 50, aquela menina, aluna de colégio interno do Distrito Federal, o Orsina da Fonseca, na Tijuca, foi com as colegas do coral cantar na inauguracao do Estádio do Maracana. Do Maracana minha mae só lembra que o jogo inaugural era Sao Paulo x Rio, e nao faz a menor idéia de quem venceu. Queria mesmo era tomar o lanche servido após a apresentacao do coral. O que aliás, ela conta até hoje o quanto era bom...

O coral do Orsina da Fonseca era regido por D. Lucília Villa-Lobos, a primeira esposa do maestro e quem ensinou teoria musical a ele. Em todas as grandes manifestacoes populescas do Getúlio Vargas os corais das escolas do DF cantavam e eram regidos pelo Villa-Lobos, que sempre massacrava aquele coral da Tijuca, pois a essa altura já tinha trocado a esposa por uma loira de farmácia qualquer. As meninas o odiavam, naquele tempo existia respeito a família, e alunas de escolas públicas eram bem-educadas, umas damas.

Alunos da prefeitura tinham passe livre no Teatro Municipal, onde minha mae, entao uma menina de 13, 14 anos aprendeu a apreciar óperas, ballets, concertos, corais. Além de cantar, aprendia-se na escola costura, bordado, economia doméstica, frances e latim. As professoras eram temidas e respeitadas, acima de tudo, um exemplo a seguir. A escola era um palácio que pertenceu a esposa do Marachal Hermes da Fonseca. É claro que sendo no Brasil o Palácio foi destruido para dar lugar a uma caixa de concreto horrorosa e confirmar a derrocada do ensino público tao bem arquitetada pelo regime militar.

Ontem a tarde, fomos a Rua do Ouvidor, e mamae comecou a falar como aquela era a rua mais linda e elegante do Rio de Janeiro. Disse que as lojas tinham perfume e ninguém andava por lá desarrumado e sem chapéu. Eu acho que posso imaginar isso, lembrando da Av. Rio Branco do Pereira Passos, cheia de prédios belíssimos, que deram lugar a construcoes grotescas e imundice. Depois fomos a Lidador, onde fomos atendidas por uma mocinha que nao entendia patavina de vinho, era mal-humorada e mal-informada. Definitivamente, decadencia total.

E minha mae foi contando essas e outras histórias durante as absurdas 2 horas que levamos de onibus no trajeto Menezes Cortes-Icaraí. Até nas barcas de outros tempos teria sido mais rapido.

Publicado no GO em 24/12/2008 - 10h55m

***

11 comentários:

Frei disse...

Fiz prova para admissão no Orsina. Ainda éramos Estado da Guanabara e o prédio novo estava recém-inaugurado pelo Lacerda.

O antigo permanecia de pé. Mal conservado, mas ainda bonitão. Foi antes do golpe de 64.

Quem botou abaixo foi o Negrão de Lima.

Quanto à educação, às vésperas da reforma da lei de diretrizes e bases, falava-se que os anos 70 seriam a década da educação...

Poderia ter sido, mas não foi

[ ]s do Freitas
Que preferiu ir para o Instituto de Educação e virou normalista

Vicky disse...

Minha mae nao passa um único dia sem falar de coisas que aconteceram na Orsina. Tenho a impressao até de ter estudado lá por osmose, vinte anos antes de ter nascido...

ZildaeAntonio disse...

Oi, Vicky
Amei ler tudo que escreveu. Recordar acho que é reviver! Embora tenha estudado na Tijuca, Insituto de Educação, nos anos 60, tenho boas recordações do Orsina da Fonseca, era um ótimo colégio.
Um abraço e tudo de bom para você e sua família!

Marcos Santos disse...

Gostei Vick. Fui aluno do Colégio Pedro II. Estudei na matriz, fundada em 1821 por Pedro I. Sua mãe tem razão, é muito bom respirar história.

Yvelise Ramos Ribeiro de Moura disse...

Sou ex-aluna do Colégio Pedro II, já na década de 70, e lá também teve o coral ocasionalmente regido pelo Villa-Lobos e adorei a história da loura de farmácia... realmente aqueles tempos escolares não existem mais: fazíamos bagunça, matávamos aula, fumávamos e namorávamos escondido, nos achávamos os tais mas "morríamos de medo" dos professores, dos inspetores... éramos ingênuos e felizes... existia respeito a família e aos outros!

Vicky disse...

Que bom ve-los aqui. Voltem sempre, sao muito bem-vindos.
Cresci com a minha mae contando histórias sobre o Orsina da Fonseca. Eles todo ano premiavam a melhor aluna com um terco de cristal, que me parece é o maior tesouro que a minha mae guarda. Quando eu casei nao quis buque. Entrei com o terco de cristal da minha mae na igreja.

Cherie disse...

Estou emocionada ao encontrar este blog. Estudei no Orsina na década de 50, época do internato, e guardo ótimas recordações, minhas filhas tambem sabem tudo do orsina pois falo diariamente deste tempo da minha vida, e cheguei agora as lágimas ao lembrar do detalhe do " têrço", que nunca cheguei a ganhar! Mas pasmem ao saber que eu, e mais umas dez amigas daquela época estamos nos encontrando sempre e matando um pouco a saudade de quando éramos uma família! èramos felizes e não sabíamos, éramos meninas de 13, 14 anos mais ou menos que coméçavamos a descobrir o mundo!
Meu nome é Eurídice, e tenho agora 70 anos!!!

Vicky disse...

D. Eurídice,
Quem ficou emocionada agora fui eu. Eu gosto muito de ouvir as histórias da minha mae e ela também se reune com algumas amigas de internato de vez em quando. Vou contar sobre a sua mensagem para ela, e tenho certeza que ficará feliz em saber da senhora.

Um abraco, e que Deus a abencoe.

Vicky disse...

D. Eurídice,
Eu lhe enviei um email mas nunca obtive resposta. Nao sei se recebeu. Vou enviar um outro, minha mae acha que foi inspetora do seu dormitório.

Um abraco.

Cherie disse...

Vicky, Já tentei enviar alguns emails para vc, mas não tenho conseguido, sempre vem a mensagem " failure", por isto estou tentando por aqui. Prometo que vou telefonar pra sua mãe qualquer dia desse, e bater um papo com ela, vai ser muito bom! Não me lembro muito bem dela físicamente, mas lembro bem do nome , da Ione lembro melhor ela era bem loirinha, e ficou mais tempo. A Ivone era mesmo monitora da 1º turma ( dormitório do lado da igreja) Tenho contacto com umas 10 meninas mais ou menos e nos vemos sempre. Adorei conhecer vc, mesmo que só virtualmente, mas um dia poderemos nos encontrar, quem sabe né? As nossa filhas " das " orsinadas" como diz o meu neto nos chamam de " tia "XU" e eu quero ser sua tia " XU" tambem. Pergunta a sua mãe se ela se lembra desta frase " MEU XU" !!
Bjsss e meu carinho para vc, sua mãe e sua tia!

Vicky disse...

Nossa, D. Eurídice, minha mae e minha tia vao ficar muito felizes com a sua mensagem. Liga para minha mae sim que ela vai adorar. E é claro que eu vou gostar de ter mais uma tia, aviso quando for ao Rio da próxima vez. É verdade, minha tia é bem loirinha mesmo, tanto que quando ficou grisalha mal dava para perceber a diferenca. Quando eu olho as fotos daquele tempo eu sempre acho que a minha mae está igual, mas a tia Ione mudou um bocado. Um beijo grande.

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