Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Observacoes (quase) Antropologicas - Churrasco no Novo México, ou A Matanza - Parte 1

Churrasco é churrasco.  Certo?  Erradíssimo. Se no Brasil adicionar qualquer coisa que nao seja sal grosso na carne da churrasqueira é um sacrilégio, em outras partes do mundo a carne é preparada das mais diversas formas .  A minha experiencia nesse caso é limitada, por isso nao creio estar apta a fazer muitas comparacoes, mas quero registrar algumas impressoes colhidas ao longo das minhas viagens.

A vida inteira frequentei churrascos a beira de piscinas, no Brasil.  Nunca fui num churrasco na roca, o que acredito ser mais farto e fresco.  No Brasil temos o molho a campanha, arroz e farofa como acompanhamentos básicos. Temos picanha, costela, asa e coracao de frango, linguica.  É o mínimo que se espera (embora por mim só precisasse de carne e cerveja).  Ir a um churrasco onde nao se tem nada disso soa estranho - dá a impressao de faltar algo e deixa-nos com uma fome e saudade enormes.



Na Inglaterra um churrasco pode ser alguma carne cortada em bife posta na grelha, vao também alguns legumes, frutas.  Como tudo na cozinha inglesa, sao tipicamente sem gosto por conta da ausencia total do sal - que na minha teoria os ingleses confundem com arsenico, nunca tem sal em comida alguma.  Enquanto morei na Itália nao vi churrasco (também nao conhecia brasileiros por lá, só andava com italianos) mas com aquela comida, nao dava nem tempo de lembrar do que existe no Brasil.  E sinceramente, em matéria de comida, moraria para sempre na Itália e muito feliz sem sair de lá.  Tem alguma coisa naquela Bota que é um mistério: o povo come diariamente como se fosse o último dia de vida e como precisassem se alimentar para a eternidade.  E nunca vi nenhum gordo por lá.  Juro.

Nos EUA tem aquilo que vemos em filme (e eu me incluo nisso): uma churrasqueira cheia de frescura, com uns hamburgueres por cima e umas salsichas.  E ainda assim queimam tudo.  Sem falar na melecada que poem em cima das carnes, todos aqueles molhos sao doces.  Nunca fui a um churrasco assim na casa de ninguém, mas o maridao já me levou para comer em "churrascarias".  Bem, nao recomendo se o que voce está atrás é de uma boa carne, é tudo doce ou com pimenta ou os dois juntos. Tempero, nem pensar.  Eu comi chorando de desgosto.  Se o que voce quer é uma experiencia nova e conhecer novos sabores, vai em frente.  Depois me conta o que achou.


Hoje estou morando no Novo México.  E como é o churrasco aqui?  Tá certo que é parte dos EUA, mas a comida tem influencia mexicana muito mais forte que a americana.  E eu moro na roca.



Tive o prazer de participar de uma Matanza, que seria uma espécie de "grande churrascada anual" para quem cria animais.  Mata-se um porco ou um boi pela manha.  Segue a limpeza, o corte e o preparo das carnes.  Cozinha-se, grelha-se, frita-se, toda a carne durante a festa que leva um dia inteiro.  Muita comida e a família e os amigos reunidos. Haja gente para comer um porco inteiro, imagina um boi! Costuma ser durante o outono (já está um frio corno, ainda mais para quem saiu do Rio de Janeiro), mas tem gente que também faz no inverno.  Isso porque o Novo México é no deserto e os animais engordam mais durante o verao, quando chove e tem mais pasto para alimentá-los.  No outono o gado está mais gordinho e é quando os produtores vendem suas cabecas.  Ou se mata algum para a churrascada monumental.



Eu adorei a festa, mas só cheguei depois que já estava tudo no fogo (imagina se me pegam para cortar um pedaco de porco, tá doido!).  Nesse churrasco encontramos também uma panelada de "red chile" e vários bifes feitos sempre com muita pimenta local. É muita carne e preparada de diversas formas, nem me lembro de tudo.  E ainda tem os acompanhamentos, sendo que me chocou  uma sopa de pipoca - muito estranha.  Ouvi dizer que é um prato típico mexicano e dessas coisas eu prefiro nem lembrar o nome.  Nessas horas eu dou Gracas a Deus por ser brasileira.


A festa nao tem hora para acabar, a noite já está quase congelando os ossos (das pessoas, nao do suíno em questao) e vai todo mundo ficar em volta do fogo assando marshmellow.  E ainda tem comida que sobrou e todo mundo leva uma quentinha para casa.

 

Todas as fotos sao da Matanza da minha nova família, que foi em novembro passado.  O que tem no caldeirao é o assunto do próximo post.

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