Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



Picture credits on this blog go to my lovely husband, who has never enough of beautiful and interesting views all over the world. If a picture is not his, it will be linked to its original source.

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domingo, 21 de julho de 2013

O Centro de Niteroi no Caminho do Capital

É importante que todo niteroiense leia isso e entre na luta. Estão destruindo nossa cidade aos poucos, degradando nossa vida, até que todo espaço se torne insuportável e irrespirável! Essa não é a Niterói onde eu nasci e cresci, e não é a Niterói que eu quero deixar para meus filhos.

O documento O Centro de Niterói no Caminho do Capital foi escrito pela Arquiteta e Doutora Professora-Titular da Escola de Arquitetura da UFF, Regina Bienenstein, possivelmente uma das pessoas que melhor conhece Niterói, em todos os seus cantos, buracos esquecidos, problemas, riscos. Eu não acredito numa prefeitura que não leve em consideração o trabalho sério realizado por Regina e o NEPHU.

A referência para o texto abaixo pode ser encontrada no Facebook, através deste link.



O Centro de Niterói no Caminho do Capital



Está em discussão, no município de Niterói, uma proposta de cidade que privilegia o capital imobiliário, oferecida ao Executivo Municipal por três grandes empresas (Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez). Este projeto se utiliza do instrumento Operação Urbana Consorciada (OUC), previsto no Estatuto da Cidade, e propõe a extinção de todas as Áreas Especiais do Centro e suas respectivas normas de uso e ocupação do solo: as Áreas Especiais de Interesse Social (ocupadas por população de baixa renda), as de Interesse Urbanístico (campi da UFF e Caminho Niemeyer) e a de Preservação do Ambiente Urbano. Ou seja, a proposta descarta o processo de planejamento urbano construído ao longo de décadas e sintetizado no Plano Urbanístico da Região das Praias da Baía, de 2002.
O projeto de lei encaminhado à Câmara Municipal é generalista. Sem um plano urbanístico que defina com clareza o que irá acontecer no Centro, sua defesa destaca unicamente os problemas existentes na área, que, na verdade, são decorrentes de falta de manutenção pelo gestor municipal. Aponta para a necessidade de incentivo ao uso residencial, desconhecendo que o Centro de Niterói já é caracterizado pela diversidade de usos, de atividades e de classes sociais. É uma área que apresenta, além do uso comercial e de serviços, vários quarteirões com uso misto e residencial. A proposta não detalha nem fixa normas que permitam o controle da região pelo gestor público local, além de não especificar as obras, o cronograma de sua implementação e os respectivos custos. 

Conforme alertado pelo Fórum UFF Cidades em diferentes ocasiões, trata-se de uma verdadeira “caixa preta” (ou um “cheque em branco”) que confere “um poder ilimitado à coalizão formada pela Sociedade de Economia Mista proposta e por empresas privadas, sem controle público efetivo”. Isto fica evidente no controle social obrigatório (artigo 33, item VII do Estatuto da Cidade), para o qual o projeto de lei estabelece um Conselho Consultivo com quatro membros do Executivo e apenas dois representantes da sociedade civil, a serem escolhidos pelo próprio Executivo.

A proposta causará diversos níveis de ruptura, não apenas na área específica da OUC, mas terá reflexos em todo o território municipal, ao permitir a compra do direito de ampliação de gabarito para até 40 andares (duas torres no espaço da atual Estação das Barcas) e até 20 andares (vários edifícios no espaço entre o Terminal de ônibus e a Ponta da Areia, e entre o Caminho Niemeyer e a área urbanizada atual), sendo estimado também que estes investimentos atrairão cerca de 40 mil novos moradores para o Centro.

O Estudo de Impacto de Vizinhança,elaborado pelas mesmas empresas que desenvolveram a proposta, reconhece que o projeto provocará aumento no valor dos imóveis, nos aluguéis e no custo de vida.Assume também que acabará por expulsar as famílias de classe média baixa e as de baixa renda, os pequenos comerciantes e as lojas de atacado, o que é considerado, no documento, como efeito “inevitável, irreversível, negativo e permanente”.

O Projeto de Lei reflete uma visão de gestão urbana que privilegia o “espetáculo” e a “imagem”, em detrimento das verdadeiras necessidades de quem mora, trabalha e frequenta a região. Isto fica claro nos exemplos apresentados: grandes prédios muito iluminados, torres corporativas, objetos arquitetônicos estranhos à nossa paisagem, que, aliás, se sobreporiam às edificações do Caminho Niemeyer.

Conforme tem apontado o Fórum UFF Cidades, existem claros riscos de privatização da cidade embutidos nesse projeto. Instrumentos financeiros e urbanísticos moldarão a paisagem, a serviço de empreendedores e investidores, em obediência a um modelo de intervenção importado, repassando à iniciativa privada a gestão do "novo" espaço, com prejuízo à atenção aos problemas sociais e econômicos reais do Centro.

A Prefeitura quer aprovar um projeto de tamanha magnitude em pouco mais de dois meses e argumenta ter realizado muitas reuniões, com diferentes segmentos, o que caracterizaria a disposição para o debate democrático. Não considera que processos efetivamente participativos exigem disposição para enfrentar, escutar e avaliar críticas e propostas, e ser capaz de incluí-las ou, pelo menos, esclarecer porque não foram aceitas. Nas duas únicas Audiências Públicas, promovidas pelo Legislativo Municipal, e nos debates promovidos pela Escola de Arquitetura e Urbanismo - UFF e pelo Ministério Público, uma sucessão de opiniões divergentes, dúvidas técnicas e propostas de alteração foram encaminhadas por vários setores da sociedade, sem que nenhuma modificação tenha sido feita no projeto de lei que tramita na Câmara.

Temos nos posicionado pela imediata revisão do Plano Diretor aprovado em 1992. O Executivo, como enfatizou o Vice-Prefeito, recusa tal proposta, com o argumento de que imobilizaria a gestão “por até três anos” e impediria a realização de ações importantes para a cidade. Ora, esta afirmativa é falaciosa, pois a elaboração de um Plano Diretor não demanda um longo tempo e não impede a implementação de ações já estudadas e planejadas para a administração cotidiana da cidade. E Niterói já tem alguns Planos que esperam por ser implementados, entre eles, o Plano Local de Habitação de Interesse Social e o Plano Municipal de Redução de Risco, este último de suma importância para evitar novas tragédias, como as já vividas pela cidade em 2010.

O Fórum UFF Cidades tem defendido a recuperação do Centro de Niterói dentro de uma perspectiva social e inclusiva que deve começar com a aplicação de instrumentos do Estatuto da Cidade que contribuam para assegurar a função social da cidade e da propriedade. Em vez de torres que se destacam na paisagem, em conflito com as edificações do Caminho Niemeyer e com a própria ocupação atual do Centro, nossa proposta volta-se para a escala humana e para as reais necessidades da população. No lugar de uma “revitalização” baseada na atração do grande capital imobiliário, que expulsará a população e as atividades tradicionais, nossa proposta aponta para a melhoria dos serviços urbanos; para o estímulo ao aproveitamento dos imóveis vazios e subutilizados como moradia popular e de classe média; a organização do dinâmico comércio popular; a valorização do comércio já presente na área e o incentivo à recuperação do patrimônio edificado.

Por tudo o que foi mencionado e por existirem alternativas que não acirram a exclusão sócio-espacial, o Fórum UFF Cidades defende a imediata retirada do projeto de lei da OUC / Centro de Niterói da Câmara Municipal e reafirma a urgência da revisão do Plano Diretor, iniciativas que permitirão abrir o debate sobre a política urbana e a cidade desejadas pelo cidadão niteroiense.


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Para saber mais sobre o NEPHU-UFF e seu papel na gestão de uma Niterói mais justa, e com melhor qualidade de vida para TODOS, sem demagogia e com muito trabalho sério, leia aqui, aqui e aqui. E para conhecer um pouco sobre a História de Niterói e alguns de seus personagens, leia aqui.


Até porque a cidade não precisa de mais prédios, nem de novos moradores. Muito menos, de mais carros.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fala Turista! - Três dicas de turismo no Brasil: Bom, bonito, barato e ainda falam sua língua!

texto promocional gratuito do site Fala Turista:

"Quando falamos em viagens de turismo, é muito comum vermos uma super valorização dos roteiros internacionais, que são maravilhosos, porém, nem sempre viáveis. O Brasil é um país que tem muito a oferecer ao seu povo, é uma grande diversidade de culturas, sabores e cores, prontos para serem desvendados! Que tal planejar uma bela viagem em território nacional? Nós garantimos que vai lhe render boas lembranças, além de ser bom, bonito e barato! Fique atento as dicas de roteiro:


Rio de Janeiro/RJ:
A capital fluminense é o destino ideal para quem gosta de praia, sol e mar. São tantos passeios para fazer na cidade maravilhosa que o turista fica até em dúvida de qual será feito primeiro! Entre as diversas opções, você não pode deixar de fora da sua lista de roteiros os pontos turísticos clássicos como o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Praia de Copacabana e Arpoador.  Se você pretende viajar para esse destino reserve seu hotel no Rio de Janeiro com antecedência, pois a cidade recebe muitos turistas mensalmente e se você deixar para última hora corre o risco de não encontrar vagas."
 Pitaco meu:
O Rio de Janeiro é muito mais do que sol e praia. Bem mais. Foi a capital do país por séculos, tem História do Brasil por toda cidade, especialmente Sao Cristóvao, Centro, Santa Tereza, Glória, Catete, Flamengo, Botafogo. Já fiz para mim mesma um roteiro do Brasil imperial. Basta conhecer um pouco a História do Brasil, que vários cenários ainda estao lá, e sao lindos, mesmo que muitos estejam degradados pela falta de cuidados e a acao do tempo.  Leia Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho, e revisite aquele Rio Antigo, vá a Rua do Ouvidor, a Confeitaria Colombo na Rua Goncalves Dias. Vá a Cinelandia, ao Centro Cultural do Banco do Brasil, visite o Paco Imperial, o Arco do Teles, o antigo porto na Praca XV. A corte portuguesa se instalou na Quinta da Boa Vista, ali em Sao Cristovao, onde hoje está o Museu Nacional. D.Pedro plantou palmeiras no Jardim Botanico.  O Palácio do Catete, casa de tantos presidentes, está lá, no Catete. Já fiz um roteiro sobre o Rio e a Arquitetura Modernista para estudantes alemaes em intercambio com a UFF, visitamos até a Ilha do Fundao.

Lembre-se de pegar as barcas para ir a Niterói, a verdadeira capital fluminense, dilapidada pelo regime militar com a fusao com o Estado da Guanabara. Mas isso é outra discussao. Niterói também tem roteiros fantásticos e cheios de História, e eu faco tanta propaganda disso que deveria publicar um roteiro desses eu mesma. Levei meus tios diplomatas num roteiro por Niterói e eles ficaram encantados com a riqueza e a beleza da minha cidade.  Se voce nao conhece ninguém por aqueles lados, veja um hotel próximo do roteiro que voce quer cumprir e fique a vontade para explorar os espacos e nossa História.
Fim do pitaco.


"Curitiba/PR:
A capital paranaense é uma cidade capaz de encantar qualquer pessoa e é ideal para viagens com a família e até mesmo romântica. Se você pretende ir com sua turma, escolha um hotel Curitiba que possua quartos para 3 ou 4 pessoas, assim você economiza na diária. Para passear escolha o ônibus da Linha Turismo, ele passa pelos principais cartões postais da cidade como o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Parque Barigui, entre outros.

São Paulo/SP:
A maior cidade do Brasil é o lugar ideal para quem é apaixonado por cultura, artes e roteiros históricos; por ser uma das metrópoles mais importantes do país ela guarda grande parte da história nacional. Antes de tudo, escolha seu hotel em São Paulo, as melhores regiões para se hospedar são no centro da cidade e nas proximidades da Av. Paulista, pois através desses pontos você consegue se deslocar facilmente para outros lugares na cidade. Faça sua lista de passeios, coloque nela lugares como o MASP, Mosteiro São Bento, Pinacoteca do estado e o Parque do Ibirapuera.


E aí, gostou das dicas? Se você está programando sua viagem, não se esqueça de arrumar todos os detalhes com antecedência. Adquira suas passagens aéreas e faça sua reserva de hotel. Um site legal é o FalaTurista, lá você encontra ótimos preços de hotéis e condições especiais. Feito isso, boa viagem e aproveite!"

Turistando no Corcovado

O texto acima foi enviado por uma jornalista do site Fala Turista e está sendo publicado como cortesia.

Eu nunca utilizei o site portanto, nao posso endossá-lo. Vejo, porém, um servico útil e interessante, nos moldes de outros sites de hotéis que já utilizei na Europa e, quando precisar de hotel no Brasil, consultá-lo é uma boa opcao. Boa viagem!
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sábado, 13 de agosto de 2011

Para o Meu Pai

Com um pedido de desculpas por todas as vezes que eu reclamei do futebol que o senhor assistia.  Se eu soubesse que o senhor iria tao cedo, teria ficado ao seu lado e assistido todos os jogos bem abracadinha com o senhor.




Eu te amo meu pai. Saudades eternas.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Tia Mais Amada

A tia mais amada do mundo. Saudades imensas, minha tia querida. Cuida bem dos seus irmaos e sobrinhos aí em cima, viu? Garanto que tem baile todos os dias por aí, e a senhora nao para de dancar um minuto!

Saudade que dói 


Acho que hoje ela nao ficaria mais de mal comigo se eu contar um segredinho: ela nao queria que ninguém soubesse a sua idade, tanto que raspou a data de nascimento da carteira de identidade. Só que nas fotos acima, na festa de 100 anos da minha avó em 2006, que era irma dela, minha tia querida tinha acabado de completar 90 anos. Nao sei voces, mas eu queria chegar aos 90 assim: cheia de vida, no salto, maquiada, caminhando na praia todo dia, e levando cantada quando passa na rua...  Pois é, depois dessa festa ela foi pedida em casamento pelo ex-marido - de novo - e, tá pensando o que? Ela nao aceitou nao, disse que preferia ficar só namorando, sem compromisso. :)

Tia, a senhora é única. Tenho um orgulho imenso de ser sua sobrinha. Danca bastante com meu pai aí em cima, viu? Um dia eu vou estar no baile com voces de novo.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eduardo e Monica

Para aqueles que nao moram mais no Brasil, temos o Youtube! E hoje eu achei essa preciosidade, que nao me fez chorar, mas me deixou nostálgica. Nao me faz recordar de nenhum Eduardo, embora eu tivesse (tenho) minha amiga Monica. Qualquer uma do Legiao me faz recordar dos amigos daquele "nosso" tempo e de como a vida era boa e simples:



Cada um tem uma memória diferente a respeito dessa música, a minha é do tempo de escola, quando os maiores "problemas" eram de Física e Matemática, nossos pais e as paixonites. Do álbum "Legiao Urbana 2", lancando durante a minha adolescencia, tocava em todas as festinhas e matines que frequentávamos.  Quando nos reuníamos para estudar juntos, e era só fofoca e risadas, ou quando íamos todos comer uma pizza num sábado a noite, achando isso o máximo da aventura.

Gracas a Deus eu tive uma adolescencia sadia, com amigos sadios, tudo o que nós fazíamos era tao inocente, todo mundo tao gente boa. Jogar volei na praia aos sábados, viajar juntos no final de semana, depois já na faculdade os nossos encontros as tercas a noite. Muita saudade dos amigos que tive, dos que já nao estao mais aqui e daqueles que ainda estao na minha vida e sei que vao ficar para sempre. Amo todos voces.

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lara Vilela - Um dos Sucessos do NEPHU

Ligação entre o Nephu e a comunidade da rua Lara Vilela

Há 15 anos, afirma a Prof. Dr. Regina Bienenstein, a associação de moradores da Rua Lara Vilela (no bairro do Ingá, Niterói) procurou o NEPHU, com o pedido de que os auxiliassem na luta pela regularização fundiária, pois o Núcleo já tinha esse trabalho de assistência técnica à comunidade. Primeiro entraram os alunos da disciplina Projetos de Habitação Popular, fazendo os primeiros levantamentos, que tiveram continuidade com as bolsas de extensão e, em 2004, se iniciou uma parceria com a Prefeitura de Niterói, que vigorou até 2007.

Solenidade de entrega dos títulos de posse


Nesse período de parceria com a prefeitura, o Nephu teve condições de fazer todos os projetos de redesenho urbanístico e os projetos de correção de situações de risco geotécnico para então criar os projetos de implantação de cinco moradias. Uma delas foi construída pela prefeitura e parte da solução para evitar o risco de deslizamento foi executado. O projeto de redesenho previa abertura de um trecho de via na parte superior do morro, que foi implantada pela metade.

Após 2007, o Nephu continuou com a parte jurídica e administrativa da regularização fundiária, que é o que culminou com a titulação, agora entre aos moradores, que é uma concessão especial de uso para fins de moradia.


Morador do morro da Rua Lara Vilela
recebe das mãos do reitor o título


Os três moradores, Josuel Gomes da Silva, Carlos Elvan de Figueiredo Silva e Gilson Bonfim Santos do Nascimento, são os que estavam na área da UFF. O morro da Lara Vivela ainda tem 47 famílias vivendo em áreas do INSS e sete em terrenos privados, para os quais o Nephu já entrou com o processo de usucapião e está acompanhando o seu desenrolar.
(nota extraída do site do IACS - UFF)


Eu participei do início desses trabalhos, nos anos 90, coordenando a acao dos estudantes de arquitetura no campo, fazendo o mapeamento da favela e cadastrando os moradores, o que deu base aos estudos preliminares deste projeto. Para quem nao sabe, qualquer acao envolvendo posse de terra, uso e ocupacao do solo, habitacoes de baixa renda, tudo é um trabalho de formiguinha, que demanda muito tempo, acao contra poderosos, ameacas a integridade física daqueles que trabalham no projeto (e tais ameacas nao veem dos moradores da favelas), e muito de educacao e cidadania que é passado e cobrado dos moradores das áreas em questao. Depois do projeto pronto, ainda existem problemas a serem enfrentados muitas vezes pelos orgaos responsáveis pela execucao dos projetos, nao querem fazer exatamente como foi acordado a princípio, etc. É uma batalha constante, até que algum resultado seja alcancado e tudo isso leva anos para ser concluído. O principal é: sem o apoio dos governos, muito pouco pode ser feito.

O Brasil é um país lindo, solucoes para os problemas que enfrentamos existem, mas a mentalidade do poder ainda é medieval. Precisamos sair do feudalismo.

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domingo, 1 de maio de 2011

NEPHU - Niteroi Precisa do Seu Socorro

Ler a notícia Niterói tem déficit habitacional de 20 mil moradias - Bairros.com: O Globo me deixa extremamente irritada, pena que nao me cause surpresa. Ou alguém esperava uma atitude diferente da prefeitura? Contratar gaúchos para pensar o planejamento urbano de Niterói, no Rio de Janeiro? Gente que nunca esteve lá, nao conhece nossa realidade, nao tem contatos com liderancas locais, nao sabe da nossa história, nada.


Ridícula a iniciativa quando existe em Niterói o NEPHU - Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, na UFF, com todo o mapeamento da cidade e vários projetos prontos para a solucao de moradias de baixa renda em vários pontos da cidade. E tudo feito por quem mora na cidade e tem o maior interesse em ver a situacao resolvida.  Eu já falei sobre o NEPHU em outro post aqui.  Regina Bienenstein é reconhecida inclusive pela própria prefeitura de Niterói como uma das maiores autoridades em planejamento urbano e habitacao do Brasil.  E mesmo assim os governos municipais e estaduais sempre ignoram qualquer proposta para a solucao dos problemas urbanos mais graves e urgentes.


Regina Bienenstein, reitor Roberto Salles e Vinícius de Moraes Neto


O NEPHU comecou a partir de um apelo de moradores da Favela do Gato, em Sao Goncalo, RJ, em 1982. Situada as margens da Baía de Guanabara, uma pequena comunidade de pescadores estava sendo ameacada de ser removida pelo governo federal - e assim deixando a maioria das famílias sem direito a continuar seu trabalho com a pesca e sem moradia. Em plena ditadura militar, iniciou-se o que parecia impossível, um trabalho conjunto que convencesse o governo a mudar o tracado da estrada Niterói-Manilha, de forma a manter aquelas pessoas no seu lugar de origem e de trabalho. Esses pescadores foram a UFF pedir ajuda nas Faculdades de Arquitetura e Engenharia, e alguns professores se mobilizaram. Assim nasceu um trabalho maravilhoso, reconhecido nao só por comunidades locais, mas também internacionalmente

O NEPHU conta com o apoio de várias comunidades carentes e seus líderes, e acesso a esses lugares, além do reconhecimento das populacoes locais, o que facilita e muito qualquer tipo de intervencao governamental. A contratacao de "forasteiros" para um plano habitacional só mostra a falta de intencao da prefeitura em resolver da melhor forma para a populacao-alvo.  
Lamentável.


Muitos desses projetos já existem há muitos anos, feitos a pedido de comunidades que reconhecem o comprometimento da equipe da UFF em resolver questoes visando o bem-estar da populacao.  Populacao essa que é tratada  com respeito pela Universidade, todas as suas reivindicacoes e críticas sao ouvidas e levadas em consideracao no andamento dos projetos. Todas as suas dúvidas sao esclarecidas, nada é feito sem o consentimento dos moradores envolvidos nos projetos.  Há projetos de moradias de baixo custo, projetos de  eliminacao de risco, reflorestamento para contencao de encostas, entre muitos outros, e tudo isso sempre foi desprezado pela prefeitura e pelo governo do estado - nao raro, os próprios contratantes dessas pesquisas. 


As solucoes existem e muitas vezes a baixo custo. No entanto, o poder público nao está interessado, é um trabalho que nao rende votos, nao traz visibilidade "no asfalto". Vao ao Rio Grande do Sul, acompanhados de fanfarras, contratar gente que precisa primeiro saber onde fica Niterói, para depois fazer um projeto de gabinete, com precos super faturados, expulsando moradores das áreas de interesse da especulacao imobiliária, juntando famílias em cubículos de 20m2 e chamando isso de habitacao popular.


Já vi esse filme antes. Nao apoio e nao gosto. Eu sei como termina.


Regina, FAMNIT, será que ainda podemos fazer alguma coisa por Niterói?  Precisamos de voces!


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terça-feira, 12 de abril de 2011

Sítio do Pica-Pau Amarelo

Se voce, como eu, foi crianca nas décadas de 70-80, assiste e chora como se ainda tivesse aquela idade. Como eu estou fazendo agora.



Nao é só o Sitío, sao todas as memórias que veem com ele:  Sair da escola correndo para nao perder o episódio, chegar em casa e receber um beijo da minha mae, sair correndo para abrir o portao quando ouvia o carro do meu pai chegar, jantar junto deles, poder dar um abraco no meu irmao, ligar para minha avó perguntando se poderia ficar com ela no final de semana.  Difícil saber do que mais sinto falta hoje.  Daquele tempo que a família toda ainda se reunia no Natal na casa da minha avó, e todos os primos brincavam juntos.  Das festas de aniversário, cheias de salgadinhos, um bolo delicioso, onde a gente brincava de pique-esconde e era feliz.



Ei, Rede Globo, e a memória da televisao?  Por que abandonar esse pedaco de sonho?

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Gnocchi Desafortunado

Gnocchi Desafortunado.  Provavelmente uma invencao dos restaurantes no Rio de Janeiro, diziam que todo dia 29 era dia de uma tradicao italiana (da qual  na Itália ninguém nunca ouviu falar) o "Dia do Gnocchi da Fortuna".  Funcionava colocando uma nota de $1 embaixo do prato de gnocchi e quando terminasse de comer era para guardar a nota na carteira.  A nota nao podia ser usada depois, assim garantiria uma carteira cheia o mes todo.  Tinha restaurante que dava até a nota inclusa com o pedido do gnocchi, que obviamente estava em promocao todo dia 29.

foto do blog Entre Amigas
A explicacao está toda no passado porque eu nao tenho a menor idéia se ainda fazem isso hoje. 
Já sao 11 anos fora do Brasil, entao, deem um desconto.


Um dia, lá por volta de 1990, cismei de fazer o gnocchi em casa e peguei a receita toda satisfeita.  Minha meta era levar a "tradicao" para dentro de casa e gastando pouco, além de fazer uma média com meus pais. Mas a infeliz da receita dizia "farinha até dar ponto".  E adolescente que nunca cozinhou na vida lá sabe como é o ponto?

1a. tentativa - seguindo a receita, peguei a massa as colheradas e coloquei na água fervente. Desmanchou tudo. Entra minha mae na cozinha e pergunta: tá fazendo sopa? E sai as gargalhadas.

2a. tentativa - comecei a colocar mais farinha "para dar ponto". Aí eu estava procurando que a massa estivesse mais consistente. Quando fiquei satisfeita com a consistencia, comecei a colocar as colheradas na água. Subiu tudo que era uma beleza. Chamo meus pais para jantar. Meu pai disse que só jantava se tivesse arroz e feijao na mesa. Eu, contrariada, disse que gnocchi era um prato completo, ele nao ia misturar com arroz e feijao na minha frente, e se quisesse podia comer arroz e feijao depois de acabar uma porcao do gnocchi e só (petulante...).  Sirvo.  Todo mundo dá uma garfada. Eu fui a primeira a cuspir. Duuuro que quase me quebra os dentes. Meu pai, gaiato, fala: como bolinha de ping pong tá perfeito, mas nao era para ser comida?

Fiquei traumatizada. Só fui (aprender a) cozinhar de novo 10 anos depois quando fui morar sozinha.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Saudades de Voce, Maria

Acabei de ficar sabendo que a nossa empregada em Niterói foi morta junto com o marido por traficantes, que invadiram a casa deles, fugindo da polícia.  To chocada e sem palavras. Foram quase 25 anos conosco.  Fiquem com Deus, meus amigos, que voces tenham paz agora.


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domingo, 25 de abril de 2010

Don Roale

Saudades de Niterói, daquela cidade que existiu nos meus vinte anos.  Don Roale, Farinata e Sequela (qual era o nome "oficial" daquilo? Clube 107?).  Quantas noites bebendo, cantando e dancando, ajudando os garcons a colocar as cadeiras em cima das mesas, as saideiras que nao terminavam nunca.  Tinha muita gente estranha e muita gente boa.  Nao sei em qual dos dois grupos me enquadrava.  Peter é meu amigo até hoje, tocou no meu casamento.  E hoje achei o Dan no Youtube.



Só faltava agora encontrar aquele maluco que cantava mais ou menos isso:

Sábado, é o dia dos bêbados, e das moças católicas, que vão a missa rezar para encontrar um BÊBADO.  Aquele cara simpático, que quando não tá estático, sentado na mesa de um bar pra tentar encontrar algum método, be bancar o ilógico, de burlar o estético. 


Alguém sabe a letra dessa pérola ou tem alguma gravacao disso?  AMO!!!


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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói, eu choro com voce

Minha terra linda! O que fizeram com voce?  Niterói é cidade grande com jeito de interior, todo mundo se conhece de um jeito ou de outro.  O lixao desabou, quem morava lá? Com certeza alguém que eu conhecia estava por lá.

O crescimento das favelas nao é "privilégio" de Niterói, é fato no país inteiro.  A culpa nao é de quem constrói nas encostas e morros, é de quem nao se lembra que essas pessoas precisam de moradia digna em algum lugar.  As solucoes e estudos das ocupacoes existem sim, mas os governos se recusam a implementá-los.

Acabou de aparecer no Jornal Nacional a Regina.  Regina Bienenstein, é responsável pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, da UFF.  O NEPHU realiza um trabalho sério e tem o levantamento da situacao de várias ocupacoes em Niterói e no Rio.  É um grupo multidisciplinar, com profissionais qualificados, professores e alunos da UFF.  Urbanistas, Engenheiros de várias especializacoes, Sociólogos, Assistentes Sociais, Advogados.  Todos os levantamentos sao feitos mediante pedido das próprias comunidades, e depois existe o esforco de levar o resultado desses estudos para as autoridades competentes, mostrando a viabilidade dos projetos e seus prováveis resultados.  As vezes esses estudos sao levados a sério e os trabalhos sao feitos sob a supervisao do NEPHU e dos moradores locais.  Muitas vezes, as autoridades públicas nao querem nem conversar.

Nao raro, a remocao é mais cara do que a recuperacao e urbanizacao de áreas degradadas.  Mesmo assim, os governos nao se interessam.  Remocao faz estardalhaco na mídia e traz voto da populacao classe média, enquanto a recuperacao do espaco só atinge os favelados da área - provavelmente classificados como votos e seres humanos de segunda classe? Outras vezes existem projetos aprovados, em andamento, mas com a mudanca de governos os novos "encarregados" simplesmente cancelam tudo o que já foi feito, muitas vezes, desperdicando todo o dinheiro já investido na área.  Quantas vezes eu tive os meus salários e até vales-tranporte roubados pelos novos ocupantes do governo do estado, da prefeitura...

Morro do Estado, visto pelo Centro de Niterói
Foto do O Globo

Eu trabalhei por 6 anos no NEPHU e tinha muito orgulho do trabalho que fazia.  Subi morros incontáveis vezes, de manha, a tarde e a noite, para levantamento das áreas ou reunioes com os moradores, onde tudo o que deveria ser feito era meticulosamente explicado.  As reunioes nao terminavam enquanto houvesse alguma dúvida.  Qualquer trabalho só é realizado mediante a aprovacao de 100% dos moradores.  Difícil?  Com certeza.  Mas a Regina sempre soube como fazer.  Nunca impos solucao alguma para ninguém, nem os moradores sao tratados como retardados sem opiniao.  Pelo menos 3 solucoes (viáveis) sao preparadas e apresentadas para discussao com os moradores.  Dessas discussoes, nao raro, chegava-se a uma quarta ou quinta alternativa.  Na maior parte das vezes custam muito menos do que as pracinhas vagabundas que a prefeitura cisma em construir no meio das comunidades, com fins eleitoreiros.  Mesmo assim, as pracinhas sempre foram consideradas prioridade face a solucoes de transformacao urbanistíca, que garantiriam seguranca para toda uma comunidade.

Morador de favela nao é marginal.  Sao pessoas que foram transformadas em estatísticas de votos pelos governos, sem direito a uma política habitacional.  A culpa nao vem de 20, 30 anos atrás.  O problema comecou com o bota-abaixo do Pereira Passos lá no início do séc. XX, e só foi piorando com o tempo.  As populacoes sendo sistematicamente expulsas das suas casas, mas sem ter nenhuma alternativa de moradia oferecida. Nem uma linha de crédito, nada.  Meia dúzia de conjuntos habitacionais vagabundos, oferecendo espacos sub-humanos, sem um mínimo de dignidade, as pessoas tratadas como gado.  Conheci um conjunto habitacional, dentro de uma favela em Jacarepaguá (nome "oficial" Vila Albano, nome conhecido pelos moradores, nem desconfio), onde cada casa era um total de 20m2.  No "asfalto" é proibida a construcao de unidades habitacionais menores que 30m2.  Por que na favela 20m2 serve?

O que eu sempre me orgulhei no NEPHU é que a universidade trabalha junto com a populacao.  Tratando as pessoas como se deve, como seres humanos, respeitando a dignidade de cada um, educando para que possam reivindicar uma vida melhor, para se tornarem cidadaos de fato.  As pessoas nao sao jogadas no meio de obras que nao entendem, elas sao educadas e informadas do passo-a-passo, para que elas mesmo decidam o que é melhor na vida e na comunidade delas.  Tenho o maior orgulho da Regina, embora ela talvez nao saiba.

Niterói é o berco da Regina (acho) e do NEPHU.  Muita tragédia poderia ter sido evitada nessas chuvas se a prefeitura tivesse levado a sério o trabalho feito pela própria UFF, em sua maioria por moradores de Niterói: Gente que tem o maior interesse em transformar nossa cidade no melhor lugar do mundo.  Essas solucoes custam pouco, muito pouco.  Bem menos do que as propinas que movem as eleicoes, com certeza.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Trilha Sonora das Primeiras Paixoes

Aquelas coisinhas bobas de colégio, festinha americana, dancar música lenta, meninas de um lado, meninos de outro.  O menininho que passava na hora do recreio e a gente ficava suspirando. Tudo tao inocente.  E ao som de música boa também.  Pode ser por ser a minha época, mas a melhor música pra mim, é dos anos 80.  E a maioria do que eu gostava, é da terra mesmo, tudo de Niterói!!!!  Que saudades do Farinata!



















Essa era minha música preferida quando era crianca, tirou 2o lugar num festival da Globo, fiquei muito indignada achando que deveria ter levado o 1o (que nao me lembro quem foi).  Tinha me esquecido dela e achava que nunca mais ouviria.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Olha Niteroi de novo ai!!!

hahahahahahahaha Ateh o Chacrinha comecou carreira em Niteroi!!!! So queria saber o endereco dessa chacara, mal sobraram meio duzia de casas hoje em Icarai...

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sábado, 12 de julho de 2008

Niteroi - Berço da humanidade e o melhor lugar do mundo

de José Sergio Rocha, extraido do Globo.

Antes de falar de um botequim saudoso e de um garçom porreta, preciso contar algo que ouço há anos de um conhecido meu, que foi vizinho do Gilson Monteiro na Vila Pereira Carneiro. Tem gente que morre de rir quando o sujeito diz que, no sétimo dia, antes de descansar, Deus criou Niterói no minuto seguinte à explosão de átomos de hidrogênio e de hidrovita que deu origem ao Sistema Solar. Pois é, a velha e boa hidrovita que não é mais encontrada na cidade.

O primeiro dinossauro, por exemplo, tinha seu habitat na Engenhoca. Adão e Eva surgiram exatamente naquelas duas prainhas depois de Jurujuba (daí os nomes). E quando rolou a confusão entre Caim e Abel – aquela pancadaria famosa no Caramujo, em que um matou o outro e o outro matou o um –, os filhos deles, netos do primeiro casal, foram morar numas cavernas em Itaipu. Ficaram milênios lá e, falando nisso, nunca viram nenhum índio naquelas imediações.

O cacique Araribóia, que vinha a ser tetraneto do tetraneto do primeiro neanderthal que foi morar longe das cavernas, era mesmo de São Lourenço. O historiador e highlander Emmanuel de Bragança Macedo Soares, que já sabia das coisas na época, é testemunha ocular disso aí.
Pois é. Depois de berço da humanidade, foi também em Niterói que o Brasil começou. Ali na Ponta da Areia, o Barão de Mauá montou seu estaleiro, nossa primeira indústria. Daí não ser nenhum absurdo dizer que o capitalismo brasileiro começou aqui. Não, não, o terreno não era da Patrimóvel.

Para compensar, foi na Rua da Praia (hoje Visconde do Rio Branco) que Astrogildo Pereira fundou o PCB. Ou seja, o comunismo brasileiro também surgiu aqui. Até uma religião afro-brasileira, a umbanda, tem suas origens entre nós, no ano de 1927, de acordo com o eterno professor Darcy Ribeiro.

"E o teatro?", prossegue nosso amigo. "Só se falava o português castiço, o português de Portugal. O ator João Caetano foi o primeiro a falar brasileiro nos palcos". Sabe onde foi isso? No Teatro Municipal João Caetano, um dos mais belos do país, que ficou mais de um século abandonado e teve sua primeira restauração, a cargo do mago Cláudio Valério Teixeira, no governo de Jorge Roberto Silveira. Perguntem ao jornalista e advogado João Luiz Faria Netto, que também ouviu da mesma fonte.

Futebol? Dois anos antes do Charles Miller chegar em São Paulo, os ingleses da Byron já batiam uma bolinha no Rink. E, alguns anos depois, fizeram o Rio Cricket.

Samba? Tudo bem que "Pelo Telefone" foi lançada antes, pela Casa Edison, na Rua do Ouvidor, mas tem um detalhe: "Não era samba. Era maxixe. O samba de verdade, o sincopadinho, foi criado pelo Ismael Silva, que saiu de Jurujuba para o Estácio. Noel Rosa, Geraldo Pereira e Chico Buarque beberam dessa água", acrescenta o vizinho do Gilson, pedindo para eu não esquecer de dizer que Ciro Monteiro, nascido no Rocha, em São Gonçalo, cansou de batucar sua caixinha de fósforos nos bancos do Campo de São Bento.

"Até a musa de Ipanema, Leila Diniz, nasceu em Niterói", lembra. "Virou até nome de rua, em São Francisco. Carioca não tira onda com a gente, malandro!"

E o primeiro grande botequim do Brasil? Hein? Hein? Engana-se quem acha que foi o Bar Luiz, na Rua da Carioca, do outro lado da Poça, ou o Bar Brahma, em São Paulo, na esquina de São João com Ipiranga. Niterói foi pioneira também nisso. E cada geração tem seu templo de esbórnia. O pessoal com mais de 70 anos jura que o primeiro grande bar do país foi o Miramar, que pegou a rebarba do incêndio da estação das Barcas, em 1959 e virou ruína. Já os sessentões mais refinados preferiam o Petit Paris, onde Sergio Mendes começou a carreira.

Aqueles que têm mais de 45 anos, sobretudo os que estudaram na UFF, não hesitam: nunca houve um boteco como o Café e Bar Natal, que foi fechado e demolido há mais de 20 anos para que fosse erguido o Plaza Shopping. A gente gosta do Plaza, mas gostava muito mais do velho Bar Natal, de um espanhol da Galícia, Don Luiz Pardo, o Seu Luiz. Falo do Bar Natal também porque foi lá que conheci um dos melhores garçons de Niterói, o Cândido, já falecido. Magrinho, mulato, gozador, Candinho atendia, praticamente sozinho (o Kojak e o Israel chegaram depois dele), umas 20 mesas ou 30 mesas ocupadas pelos alunos e professores dos cursos da UFF. O ator Tonico Pereira, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, a cantora Ithamara Koorax, o professor Marcos Waldemar Reis e um monte de bebuns que depois viraram arquitetos, engenheiros, doutores em Ciências Exatas, jornalistas, cineastas, poetas, advogados, historiadores, antropólogos e até mesmo alguns ilustres vagabundos.

Peço licença para levantar um brinde àquele curioso templo de libações alcoólicas que fechava as portas às 10h30min para que os verdadeiros boêmios enchessem o pote em recinto fechado, sem malas amadores para perturbar.

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