Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



Picture credits on this blog go to my lovely husband, who has never enough of beautiful and interesting views all over the world. If a picture is not his, it will be linked to its original source.

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domingo, 5 de maio de 2013

Vida Boa Tivemos Nos

Vida boa tivemos nos na nossa infancia...


Mais do que saudade do Atari, eu tenho saudade eh das criancas que brincavam comigo naquela epoca, e que o tempo transformou em adultos cinicos...

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Velho Bla Bla Bla - Expectativas no Exterior

O bom e velho bla bla bla de sempre: Qual eh o melhor pais para morar? Se 12 anos fora do Brasil me ensinaram alguma coisa, eu digo que isso nao existe. Nao existe pais melhor que o outro. As expectativas sobre morar no exterior variam muito de pessoa para pessoa. Existe, sim, pais onde voce encontra mais coisas que sejam compativeis com voce e suas expectativas. Talvez voce seja mais feliz por la. Talvez, porque muita gente romantiza o que vai encontrar fora do Brasil e tem expectativas irrealistas, terminando por se frustrarem com as experiencias vividas. Depende mesmo de cada um.

Ja falei aqui sobre o dia em encontrei uns goianos morando em Londres. Eles foram para la porque queriam ficar ricos e comprar "sitiozinho em Goias". Viviam 12 expremidos em um apartamento de 1 quarto e 1 banheiro, trabalhavam fazendo faxina e como motoboys, passavam os dias de folga fazendo churrasco na varanda ouvindo breganejo e falando mal da Inglaterra. A conversa deles era "quando voce acha que pode voltar ao Brasil?", nem passava pela cabeca daquele pessoal que alguem pudesse querer passar toda a vida no exterior. Nunca entraram na National Gallery ou passearam pelo Hyde Park. Desnecessario dizer que nenhum deles falava ingles - ou sequer se interessavam em aprender. Nao sabiam nem que fazia frio no inverno. Bem, o que eu tinha em comum com aquela turma? Com muita boa vontade encontro o fato de termos nascido no mesmo pais. E parava por ai mesmo. Nem a nossa lingua eu acho que era a mesma.

Rua em Chelsea, Londres

Os objetivos que cada um tinha sobre vida no exterior eram diametralmente opostos. As expectativas eram muito diferentes. Eu sonhei desde crianca em ir para a Inglaterra. Jah cheguei por lah falando ingles fluente. Conhecia a Historia e a cultura dos ingleses - jah desconfiava que muito do que aprendemos na Cultura Inglesa nao passava mesmo de lenda. Ja tinha a minha profissao e conhecia muito a respeito de Relacoes Internacionais e Historia em geral. Meu primeiro objetivo era crescer como pessoa e aprender tudo o que eu pudesse e, se possivel, ficar por la mesmo. Voltar para o Brasil sempre foi a minha ultima opcao. Nao achava que fosse encontrar um emprego de rainha no dia que chegasse em Londres, sabia que teria que trabalhar pesado, em coisas que nunca tive que fazer no Brasil. O fato de falar ingles me livrou das faxinas que normalmente sobram para os imigrantes. Eu era gerente de uma empresa no meu ultimo emprego no Brasil, mas tinha total consciencia que isso nao teria valor algum quando chegasse na Europa. Depois de um mes trabalhando como garconete, consegui um emprego de recepcionista - "cargo sofisticado" para quem acaba de chegar de outro pais, de acordo com a escala classificativa dos imigrantes sem perspectivas.

Passeio de Bicicleta pela City of London, junto com meu marido

Eu estava finalmente onde queria ter chegado a vida inteira: num lugar muito maior, cercado de Historia por todos os lados, tendo que me comunicar com pessoas de varias linguas e varias culturas, ao mesmo tempo, podendo viajar por lugares que sempre me instigaram. Toda a cena cultural de Londres era aquilo que eu sempre senti falta no Rio de Janeiro: ballet, opera, jazz, museus, arquitetura, tudo acessivel e que eu poderia aproveitar sozinha, caso nao encontrasse quem me acompanhasse no que eu gostava. Lugar seguro, com excelente transporte a noite inteira, eu saia para cima e para baixo sozinha a hora que bem entendia e sem correr risco algum. Se fosse soh pela seguranca, ja teria valido a pena. Mas era muito mais que isso. Eu estudei tanto, aprendi tanto, tive trabalhos divertidos e outros que me davam um monte de vantagens. Eu me virava sozinha, e muitas vezes tive ajuda de pessoas maravilhosas - que nao sao muitas, mas existem. Encontrei brasileiros de todo tipo, gente com a qual eu nunca teria contato se fosse no Brasil. E aprendi que nao era para ter contato mesmo, o fato de termos nascido no mesmo pais nao nos fazia iguais em nada. Aprendi tambem que quanto menos voce tem, mais as pessoas a sua volta, e na mesma situacao, se ajudam. Quanto mais as pessoas tem, menos elas se importam com os outros. Embora isso eu talvez tenha aprendido na minha familia mesmo.

No meio de tudo isso, eu trabalhava feito uma louca, quase 24/7, ganhando pouco, vivendo apertada, mas tao feliz. Eu sabia que as coisas cedo ou tarde se resolveriam e eu nao precisaria mais me preocupar com renovacao eterna de visto. Conquistei minha cidadania (com a grande ajuda da minha familia, no Brasil) e passei a ter uma vida normal de classe media, na Londres que tanto amava. E tinha gente achando que eu estava "fugindo", e que era "impossivel" gostar de Londres porque la era um lugar "horrivel". Eu sinto muito pela opiniao deles, eu estava onde queria estar, e aquele era o melhor lugar do mundo para mim. So que isso nao eh igual para todo mundo.

Por do Sol de verao, no deserto do Novo Mexico, com meu marido nativo


Casei, mudei para os EUA porque meu marido eh americano. Eu nunca sonhei em vir para esse pais, nem de ferias, nunca sonhei em ir a Disney. Talvez por isso mesmo eu nunca me decepcionei aqui, ja sabia o que ia encontrar.

Hoje, o futuro a Deus pertence. E eu sei que fui atras do que me faz feliz, sabendo o que estava fazendo, ao inves de esperar que a felicidade aparecesse na minha frente.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fala Turista! - Três dicas de turismo no Brasil: Bom, bonito, barato e ainda falam sua língua!

texto promocional gratuito do site Fala Turista:

"Quando falamos em viagens de turismo, é muito comum vermos uma super valorização dos roteiros internacionais, que são maravilhosos, porém, nem sempre viáveis. O Brasil é um país que tem muito a oferecer ao seu povo, é uma grande diversidade de culturas, sabores e cores, prontos para serem desvendados! Que tal planejar uma bela viagem em território nacional? Nós garantimos que vai lhe render boas lembranças, além de ser bom, bonito e barato! Fique atento as dicas de roteiro:


Rio de Janeiro/RJ:
A capital fluminense é o destino ideal para quem gosta de praia, sol e mar. São tantos passeios para fazer na cidade maravilhosa que o turista fica até em dúvida de qual será feito primeiro! Entre as diversas opções, você não pode deixar de fora da sua lista de roteiros os pontos turísticos clássicos como o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Praia de Copacabana e Arpoador.  Se você pretende viajar para esse destino reserve seu hotel no Rio de Janeiro com antecedência, pois a cidade recebe muitos turistas mensalmente e se você deixar para última hora corre o risco de não encontrar vagas."
 Pitaco meu:
O Rio de Janeiro é muito mais do que sol e praia. Bem mais. Foi a capital do país por séculos, tem História do Brasil por toda cidade, especialmente Sao Cristóvao, Centro, Santa Tereza, Glória, Catete, Flamengo, Botafogo. Já fiz para mim mesma um roteiro do Brasil imperial. Basta conhecer um pouco a História do Brasil, que vários cenários ainda estao lá, e sao lindos, mesmo que muitos estejam degradados pela falta de cuidados e a acao do tempo.  Leia Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho, e revisite aquele Rio Antigo, vá a Rua do Ouvidor, a Confeitaria Colombo na Rua Goncalves Dias. Vá a Cinelandia, ao Centro Cultural do Banco do Brasil, visite o Paco Imperial, o Arco do Teles, o antigo porto na Praca XV. A corte portuguesa se instalou na Quinta da Boa Vista, ali em Sao Cristovao, onde hoje está o Museu Nacional. D.Pedro plantou palmeiras no Jardim Botanico.  O Palácio do Catete, casa de tantos presidentes, está lá, no Catete. Já fiz um roteiro sobre o Rio e a Arquitetura Modernista para estudantes alemaes em intercambio com a UFF, visitamos até a Ilha do Fundao.

Lembre-se de pegar as barcas para ir a Niterói, a verdadeira capital fluminense, dilapidada pelo regime militar com a fusao com o Estado da Guanabara. Mas isso é outra discussao. Niterói também tem roteiros fantásticos e cheios de História, e eu faco tanta propaganda disso que deveria publicar um roteiro desses eu mesma. Levei meus tios diplomatas num roteiro por Niterói e eles ficaram encantados com a riqueza e a beleza da minha cidade.  Se voce nao conhece ninguém por aqueles lados, veja um hotel próximo do roteiro que voce quer cumprir e fique a vontade para explorar os espacos e nossa História.
Fim do pitaco.


"Curitiba/PR:
A capital paranaense é uma cidade capaz de encantar qualquer pessoa e é ideal para viagens com a família e até mesmo romântica. Se você pretende ir com sua turma, escolha um hotel Curitiba que possua quartos para 3 ou 4 pessoas, assim você economiza na diária. Para passear escolha o ônibus da Linha Turismo, ele passa pelos principais cartões postais da cidade como o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Parque Barigui, entre outros.

São Paulo/SP:
A maior cidade do Brasil é o lugar ideal para quem é apaixonado por cultura, artes e roteiros históricos; por ser uma das metrópoles mais importantes do país ela guarda grande parte da história nacional. Antes de tudo, escolha seu hotel em São Paulo, as melhores regiões para se hospedar são no centro da cidade e nas proximidades da Av. Paulista, pois através desses pontos você consegue se deslocar facilmente para outros lugares na cidade. Faça sua lista de passeios, coloque nela lugares como o MASP, Mosteiro São Bento, Pinacoteca do estado e o Parque do Ibirapuera.


E aí, gostou das dicas? Se você está programando sua viagem, não se esqueça de arrumar todos os detalhes com antecedência. Adquira suas passagens aéreas e faça sua reserva de hotel. Um site legal é o FalaTurista, lá você encontra ótimos preços de hotéis e condições especiais. Feito isso, boa viagem e aproveite!"

Turistando no Corcovado

O texto acima foi enviado por uma jornalista do site Fala Turista e está sendo publicado como cortesia.

Eu nunca utilizei o site portanto, nao posso endossá-lo. Vejo, porém, um servico útil e interessante, nos moldes de outros sites de hotéis que já utilizei na Europa e, quando precisar de hotel no Brasil, consultá-lo é uma boa opcao. Boa viagem!
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sábado, 13 de agosto de 2011

Para o Meu Pai

Com um pedido de desculpas por todas as vezes que eu reclamei do futebol que o senhor assistia.  Se eu soubesse que o senhor iria tao cedo, teria ficado ao seu lado e assistido todos os jogos bem abracadinha com o senhor.




Eu te amo meu pai. Saudades eternas.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Tia Mais Amada

A tia mais amada do mundo. Saudades imensas, minha tia querida. Cuida bem dos seus irmaos e sobrinhos aí em cima, viu? Garanto que tem baile todos os dias por aí, e a senhora nao para de dancar um minuto!

Saudade que dói 


Acho que hoje ela nao ficaria mais de mal comigo se eu contar um segredinho: ela nao queria que ninguém soubesse a sua idade, tanto que raspou a data de nascimento da carteira de identidade. Só que nas fotos acima, na festa de 100 anos da minha avó em 2006, que era irma dela, minha tia querida tinha acabado de completar 90 anos. Nao sei voces, mas eu queria chegar aos 90 assim: cheia de vida, no salto, maquiada, caminhando na praia todo dia, e levando cantada quando passa na rua...  Pois é, depois dessa festa ela foi pedida em casamento pelo ex-marido - de novo - e, tá pensando o que? Ela nao aceitou nao, disse que preferia ficar só namorando, sem compromisso. :)

Tia, a senhora é única. Tenho um orgulho imenso de ser sua sobrinha. Danca bastante com meu pai aí em cima, viu? Um dia eu vou estar no baile com voces de novo.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Dieta

Nem sei se posso chamar de dieta, mas na época que percebi que tinha engordado além da conta, fiz algumas modificacoes na minha rotina alimentar e o meu peso despencou.  Nao tenho forca de vontade para certas coisas, se fosse seguir alguma dieta maluca, nao obteria nenhum resultado.  E tudo o que fiz, foi da minha cabeca, prestando atencao em tudo o que ouvia sobre dietas e selecionando o que parecia fazer sentido, do que parecia absurdo e arriscado.  Sao coisas simples, que só vao tornar a sua dieta mais saudável, embora consultar um nutricionista e um médico é sempre o mais indicado para controle de peso.

Quando era crianca, um dos apelidos pelo qual meus primos me chamavam era Palmito: magrela e branca. Sempre quis engordar, tomava muito sustagen e vitaminas quando era pequena.  Hoje eu sou magra feito um vara-pau (ouvi isso da minha avó a vida inteira, e nao tenho idéia do que seja um vara-pau), mas já tive uma fase em que fiquei gordinha, mais ou menos dos 16 até os 20 anos. Coincidiu com eu ter saído do ballet (eram 7 aulas por semana), estudar para o vestibular e comecar a faculdade, quando tinha festa quase todo dia, e se nao tivesse, a gente inventava.


Com 16 anos
Com 26 anos

Nunca fui muito de subir em balanca, a minha medida sempre foram meus jeans. Se fecha está bom, se aperta, é hora de emagrecer. Até que um dia eu quis usar uma calca que nao usava há muito tempo, e ela mal passou pela minha cintura.  Resolvi agir.  Nao era a minha intencao, mas passei de 59kg para 48kg em 3 meses. E depois passei uns 5 anos (e muitas latas de Sustagen) tentando engordar 2 kg de volta.  Mas, eu tinha 20 anos e o metabolismo acelerado, além de trabalhar e estudar. Naquela época eu nao bebia sempre, saia muito e ficava só na água mineral.

Aprendi algumas coisas básicas com minha avó, desde pequena. Por exemplo, nunca gostei de beber nada durante as refeicoes. Depois aprendi que, realmente, atrapalha a digestao e deixa o estomago distendido. Tome um copo d'água meia-hora antes, e depois só pode beber de novo após 1 hora de terminada a refeicao.  Outra coisa, sempre fui a última a sair de qualquer mesa. Até hoje. Mastigo tudo muito devagar, pequenas garfadas por vez.  Uma ocasiao meus primos se deram ao trabalho de contar quantas vezes eu mastigava cada garfada. Resultado: 50. Nao raro eu nao queria mais terminar o prato pois a comida que restava já estava congelada...

 Fui entao seguindo umas regras que estabeleci para mim mesma:

  • Troquei tudo que eu comia refinado, pela versao integral: pao, arroz, acúcar, macarrao.
  • O líquido que eu bebia depois das refeicoes (aquele, 1 hora depois) era normalmente um chá bem quente e sem acúcar. Tomava umas 4 xícaras de chá por dia. Acho que chimarrao também faria o mesmo efeito.
  • Tomava dois comprimidos de alcachofra composta junto com o chá, para ajudar na digestao.
  • Diminuí a quantidade do que gosto (frituras), só uma vez por semana. 
  • Parei de comer batata-frita por 3 meses, depois reintroduzi mas em menores quantidades.
  • Refeicoes no prato de sobremesa e sem direito a repetir.
  • Comia alguma coisa (nutritiva) de 3 em 3 horas.
  • Obriguei-me a tomar café-da-manha todo dia. Esse era fácil porque meu pai preparava para mim. Comia tudo o que tivesse vontade. O ideal é deixar o mais calórico do dia para a parte da manha. Calórico, mas nutritivo.
  • Parei de jantar depois das 7 da noite. Depois desse horário, só um chá com cream cracker integral. Ou se a fome fosse grande, café com leite no lugar do chá.
  • Parei de beber qualquer coisa com acúcar, tudo passou a ser "ao natural". Menos o café, esse eu tomava com acúcar mascavo. Adocante, nem pensar. 
  • Nao como nada em versao light, diet, que tenha gosto ruim. Se o gosto nao é bom, eu nao como. Comia a versao normal do que quer que fosse, só em menor quantidade e frequencia.
  • Nem um copo de refrigerante passava pela minha boca. Tomava guaraná natural.
  • Tudo o que eu comia devia ter algum valor nutricional. Caloria vazia nao, porque assim vai continuar com fome e comendo feito uma doida, o resultado é engordar.
  • 1 copo bem cheio d'água de hora em hora, marcado no relógio, para nao esquecer.
  • meio litro d'água já na cama, antes de dormir. E meio litro d'água assim que acordava. Ajuda a purificar o organismo como um todo e é ótimo para os rins.
  • Todo dia caminhava por 1 hora e meia em passos rápidos.
Bons tempos morando em casa, com meus pais, com empregada.  Era mais fácil cuidar da dieta. Hoje em dia, "nóis si vira comu podi". 

"Hoje" com 36 anos - 3 anos atrás


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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Londres e o Frio

Um comentário sobre o frio em Londres durante pleno início de verao me fez rir.  Foi no blog Sweetest Person, que está com uma série sobre a viagem da Paula Pfeifer a Europa. Escrevi um comentário, mas resolvi que seria interessante expandir o assunto por aqui.  Afinal, o clima em Londres é frio e húmido o ano todo?

O inverno de Londres nem é tao frio assim, comparado com outras regioes européias. O problema de Londres é que a temperatura durante o ano inteiro só varia do frio ao mais frio (18C a -5C), tempo quente sao só alguns momentos em uns poucos dias, que as vezes nem sao durante o verao. Uns anos atrás teve uma semana de temperatura na casa dos 30 graus em pleno abril. Naquele ano lembro que nao teve verao, e teve uma chuva de granizo do tamanho do meu punho durante uma tarde em maio. Já em 2008, o verao comecou no final de agosto e durou até outubro... A única estratégia para Londres é ter sempre um cardiga, uma echarpe e um guarda-chuva na bolsa, nao importa a temperatura lá fora, e nem como está o céu.

No jogo de polo, verao 2007. E morrendo de frio.


É bem verdade que eu passei a maior parte dos meus anos em Londres travando uma batalha perdida contra o frio, e a minha vida de friorenta cronica só teve um alívio quando meu marido me apresentou uma linha americana chamada SmartWool. Produtos caríssimos, mas de primeira necessidade para quem mora em lugares onde tem inverno de verdade.


Melhor leggings do planeta!

Na boa, faco comercial escancarado deles.  Salvaram a minha pele LI-TE-RAL-MEN-TE. Meu marido me deu um enxoval completo de SmartWool como presente de casamento, sempre preocupado em me aquecer, aquele fofo! As minhas pecas preferidas sao as leggings, as meias - que nao deixam voce ter xulé, e as camisetas e blusa de gola role. Ainda tenho cachecóis, bonés, cardigas, pullovers e thermal clothes.  Nao vivo mais sem! Todas as vezes que vou a REI, saio de lá com pelo menos 1 par dessas meias. Depois que comecei a usá-las, nao mais nenhuma outra. Esquisito falar isso sobre meias, mas é verdade.


Uma dica preciosa para quem nao está acostumado com frio e vai viajar para um lugar gelado pela primeira vez: o mais importante é a primeira camada de roupa de voce vai usar. O que fica mais próximo a pele tem que ser o mais quente, mas deve deixar a pele respirar. Use ceroulas, o que em ingles chama-se Thermal Clothing. As melhores sao de la merino (caso do SmartWool) ou cashmere, se puder, compre desses materiais (em loja de esportes de inverno é mais fácil encontrar umas de melhor qualidade). Depois coloque uma roupa quente por cima e um casacao de inverno. Eu, particularmente, nao gosto de usar meia-calca no inverno, acaba sempre machucando meus pés. Coloco sempre meia comprida com legging por cima. Se a meia-calca for inevitável, eu coloco uma meia curta nos pés e visto a meia-calca por cima, assim meus pés ficam protegidos.

Meus primos visitando durante o inverno.
Eu estava confortável, já a minha prima, apesar de linda (pudera, é linda com qualquer roupa) estava com frio.
Lembrem-se  que casaco de couro nao serve para nada no frio Europeu.

Por mais incrível que pareca, Londres é um lugar horrível para comprar roupa de inverno. Aquele povo tem fogo no rabo, nao sente frio nunca, tudo é leve, sapato normal, vestido de alcinha. Experimenta andar com um stiletto sobre a neve... Nao só vai sujar seu pé todo, como ele vai congelar. As minhas botas de inverno eu comprei no Rio de Janeiro mesmo (pois é!) na Loja de Inverno. Sao dois pares de botas forradas com pelo de carneiro, um par 36 para usar com meia levinha, e um 37 para quando o inverno tá f*$%#* e preciso calcar uns 3 pares de meia.  Ao menos para mim, aquecer os pés é a única forma de me sentir confortável no frio.

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domingo, 19 de junho de 2011

Curiosidades Culturais - Rango de Festa

Ou PF de festa, já que nos EUA sempre que vou a alguma festa nao tem nada de petiscos ou coisinhas gostosas para saborear.  Tem feijao com arroz, pimenta, e alguma carne com mais alguma coisa para acompanhar. É cada um com seu cada um mesmo. Fala sério!

Feijao com arroz


Já na Itália, onde festa nao existe, é só comilanca mesmo, uma vez fui servida com tamaras recheadas de mascarpone e nozes, como entrada. Simples. E delicioso!

Só pode saber o quanto é bom depois de provar


Na Inglaterra, tem uns canapés meio enviesados, feitos por um pessoal que nao sabe bem distinguir sal de acúcar. Melhor deixar pra lá. Na maioria das vezes era só um Doritos com Batatas Fritas mesmo...




E no Brasil, salgadinhos, torta salgada, brigadeiro, docinho de coco... Dá fome só de pensar.  Estou contando os dias para ir em casa visitar minha mae, isso sim!

A boa torta salgada, velha de guerra 

E gosto nao se discute, nao é? ;)
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P.S. - Todas as fotos tem links para as respectivas receitas, nos sites de onde as extraí. Para saber mais, clique nos subtítulos de cada uma.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eduardo e Monica

Para aqueles que nao moram mais no Brasil, temos o Youtube! E hoje eu achei essa preciosidade, que nao me fez chorar, mas me deixou nostálgica. Nao me faz recordar de nenhum Eduardo, embora eu tivesse (tenho) minha amiga Monica. Qualquer uma do Legiao me faz recordar dos amigos daquele "nosso" tempo e de como a vida era boa e simples:



Cada um tem uma memória diferente a respeito dessa música, a minha é do tempo de escola, quando os maiores "problemas" eram de Física e Matemática, nossos pais e as paixonites. Do álbum "Legiao Urbana 2", lancando durante a minha adolescencia, tocava em todas as festinhas e matines que frequentávamos.  Quando nos reuníamos para estudar juntos, e era só fofoca e risadas, ou quando íamos todos comer uma pizza num sábado a noite, achando isso o máximo da aventura.

Gracas a Deus eu tive uma adolescencia sadia, com amigos sadios, tudo o que nós fazíamos era tao inocente, todo mundo tao gente boa. Jogar volei na praia aos sábados, viajar juntos no final de semana, depois já na faculdade os nossos encontros as tercas a noite. Muita saudade dos amigos que tive, dos que já nao estao mais aqui e daqueles que ainda estao na minha vida e sei que vao ficar para sempre. Amo todos voces.

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lara Vilela - Um dos Sucessos do NEPHU

Ligação entre o Nephu e a comunidade da rua Lara Vilela

Há 15 anos, afirma a Prof. Dr. Regina Bienenstein, a associação de moradores da Rua Lara Vilela (no bairro do Ingá, Niterói) procurou o NEPHU, com o pedido de que os auxiliassem na luta pela regularização fundiária, pois o Núcleo já tinha esse trabalho de assistência técnica à comunidade. Primeiro entraram os alunos da disciplina Projetos de Habitação Popular, fazendo os primeiros levantamentos, que tiveram continuidade com as bolsas de extensão e, em 2004, se iniciou uma parceria com a Prefeitura de Niterói, que vigorou até 2007.

Solenidade de entrega dos títulos de posse


Nesse período de parceria com a prefeitura, o Nephu teve condições de fazer todos os projetos de redesenho urbanístico e os projetos de correção de situações de risco geotécnico para então criar os projetos de implantação de cinco moradias. Uma delas foi construída pela prefeitura e parte da solução para evitar o risco de deslizamento foi executado. O projeto de redesenho previa abertura de um trecho de via na parte superior do morro, que foi implantada pela metade.

Após 2007, o Nephu continuou com a parte jurídica e administrativa da regularização fundiária, que é o que culminou com a titulação, agora entre aos moradores, que é uma concessão especial de uso para fins de moradia.


Morador do morro da Rua Lara Vilela
recebe das mãos do reitor o título


Os três moradores, Josuel Gomes da Silva, Carlos Elvan de Figueiredo Silva e Gilson Bonfim Santos do Nascimento, são os que estavam na área da UFF. O morro da Lara Vivela ainda tem 47 famílias vivendo em áreas do INSS e sete em terrenos privados, para os quais o Nephu já entrou com o processo de usucapião e está acompanhando o seu desenrolar.
(nota extraída do site do IACS - UFF)


Eu participei do início desses trabalhos, nos anos 90, coordenando a acao dos estudantes de arquitetura no campo, fazendo o mapeamento da favela e cadastrando os moradores, o que deu base aos estudos preliminares deste projeto. Para quem nao sabe, qualquer acao envolvendo posse de terra, uso e ocupacao do solo, habitacoes de baixa renda, tudo é um trabalho de formiguinha, que demanda muito tempo, acao contra poderosos, ameacas a integridade física daqueles que trabalham no projeto (e tais ameacas nao veem dos moradores da favelas), e muito de educacao e cidadania que é passado e cobrado dos moradores das áreas em questao. Depois do projeto pronto, ainda existem problemas a serem enfrentados muitas vezes pelos orgaos responsáveis pela execucao dos projetos, nao querem fazer exatamente como foi acordado a princípio, etc. É uma batalha constante, até que algum resultado seja alcancado e tudo isso leva anos para ser concluído. O principal é: sem o apoio dos governos, muito pouco pode ser feito.

O Brasil é um país lindo, solucoes para os problemas que enfrentamos existem, mas a mentalidade do poder ainda é medieval. Precisamos sair do feudalismo.

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terça-feira, 12 de abril de 2011

Sítio do Pica-Pau Amarelo

Se voce, como eu, foi crianca nas décadas de 70-80, assiste e chora como se ainda tivesse aquela idade. Como eu estou fazendo agora.



Nao é só o Sitío, sao todas as memórias que veem com ele:  Sair da escola correndo para nao perder o episódio, chegar em casa e receber um beijo da minha mae, sair correndo para abrir o portao quando ouvia o carro do meu pai chegar, jantar junto deles, poder dar um abraco no meu irmao, ligar para minha avó perguntando se poderia ficar com ela no final de semana.  Difícil saber do que mais sinto falta hoje.  Daquele tempo que a família toda ainda se reunia no Natal na casa da minha avó, e todos os primos brincavam juntos.  Das festas de aniversário, cheias de salgadinhos, um bolo delicioso, onde a gente brincava de pique-esconde e era feliz.



Ei, Rede Globo, e a memória da televisao?  Por que abandonar esse pedaco de sonho?

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terça-feira, 5 de abril de 2011

É Hora de Pensar no Mais Importante - Tempo de Quaresma

Tempo de Quaresma, Semana Santa chegando, é quando eu sinto mais falta de Londres.  Em Londres eu participava do movimento Comunhao e Libertacao (CL), que visa educar os Católicos na própria fé, para seguirem os ensinamentos de Cristo no dia-a-dia (ser Católico nao se resume a ir a missa aos domingos, é viver como um verdadeiro Cristao). O verdadeiro Cristao evangeliza pelos seus próprios atos, e nao com censuras e falacao descontrolada.  Eu tento viver como Cristo ensinou, e falho muitas vezes.  Falho porque sou humana, ninguém é perfeito além do próprio Criador.  Pessoas perfeitas e donas-da-verdade precisam de compaixao, e nao de seguidores, seja amigo.  Eu me esforco, se é o suficiente ou nao, só Deus pode me dizer.

Toda Sexta-Feira da Paixao CL promove uma Via Crucis pelas ruas da City of London.  É um momento lindo, num dia onde normalmente chove e faz frio, e mesmo assim estao todos aqueles amigos juntos rezando, cantando, caminhando pela City, indo de igreja em igreja (muitas tomadas pelos Anglicanos séculos atrás, outras convertidas em casas particulares ou pubs) que contam um pouco da História dos Católicos na Inglaterra.  O ponto de partida e chegada costuma ser a Igreja St Mary Moorfields, ao lado da Estacao de Liverpool Street, a partir das 11 da manha.  Ao final, vamos juntos almocar em algum pub ou restaurante que tenha lugar para todos nós.  Uma verdadeira celebracao Crista.

Se voce tiver vontade, ou curiosidade, de participar, vá.  Ao chegar, se apresente a quem estiver na porta.  Todos sao bem-vindos.  Os detalhes desta Páscoa eu ainda nao sei, mas atualizo o post assim que tiver as informacoes necessárias.

Enquanto isso, vá se preparando para a Páscoa.  Junte a família ao redor da mesa do jantar e facam oracoes juntos todos os dias.  Convide seus amigos para jantar na sua casa, ou tomar um café, um chá e facam suas oracoes juntos.  Aqui no exterior acho com facilidade uns livrinhos de preparacao para a Páscoa com oracoes, leituras e sugestoes de atividades, nao sei se existem no Brasil.  Procure nas livrarias da Irmas Paulinas.  Se nao encontrar, pegue uns bons filmes religiosos e assista uma vez por semana com toda a família reunida.  Eu adoro fazer isso, e existem tantos bons filmes disponíveis.  Minhas sugestoes e preferidos:





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sexta-feira, 18 de março de 2011

Música que Me Faz Falta - Boca Livre

Fui em alguns shows do Boca Livre no Teatro Rival, ali na Cinelandia. Desde a primeira vez que ouvi o Boca Livre lá no final dos anos 70, e eu era uma crianca, que eu amo de paixao a música que eles fazem.  Lembro da minha turma na biblioteca da escola cantando "Toada", com a "tia" acompanhando no violao, e eu toda derretida. Tive o primeiro vinil, e depois penei muito para comprar em CD. Tao bom, que me roubaram na Itália. Quero repor esse CD, se alguém souber onde posso encontrar, me avisa.

Agora, silencio absoluto. Oucam essa maravilha:



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quarta-feira, 2 de março de 2011

Gnocchi Desafortunado

Gnocchi Desafortunado.  Provavelmente uma invencao dos restaurantes no Rio de Janeiro, diziam que todo dia 29 era dia de uma tradicao italiana (da qual  na Itália ninguém nunca ouviu falar) o "Dia do Gnocchi da Fortuna".  Funcionava colocando uma nota de $1 embaixo do prato de gnocchi e quando terminasse de comer era para guardar a nota na carteira.  A nota nao podia ser usada depois, assim garantiria uma carteira cheia o mes todo.  Tinha restaurante que dava até a nota inclusa com o pedido do gnocchi, que obviamente estava em promocao todo dia 29.

foto do blog Entre Amigas
A explicacao está toda no passado porque eu nao tenho a menor idéia se ainda fazem isso hoje. 
Já sao 11 anos fora do Brasil, entao, deem um desconto.


Um dia, lá por volta de 1990, cismei de fazer o gnocchi em casa e peguei a receita toda satisfeita.  Minha meta era levar a "tradicao" para dentro de casa e gastando pouco, além de fazer uma média com meus pais. Mas a infeliz da receita dizia "farinha até dar ponto".  E adolescente que nunca cozinhou na vida lá sabe como é o ponto?

1a. tentativa - seguindo a receita, peguei a massa as colheradas e coloquei na água fervente. Desmanchou tudo. Entra minha mae na cozinha e pergunta: tá fazendo sopa? E sai as gargalhadas.

2a. tentativa - comecei a colocar mais farinha "para dar ponto". Aí eu estava procurando que a massa estivesse mais consistente. Quando fiquei satisfeita com a consistencia, comecei a colocar as colheradas na água. Subiu tudo que era uma beleza. Chamo meus pais para jantar. Meu pai disse que só jantava se tivesse arroz e feijao na mesa. Eu, contrariada, disse que gnocchi era um prato completo, ele nao ia misturar com arroz e feijao na minha frente, e se quisesse podia comer arroz e feijao depois de acabar uma porcao do gnocchi e só (petulante...).  Sirvo.  Todo mundo dá uma garfada. Eu fui a primeira a cuspir. Duuuro que quase me quebra os dentes. Meu pai, gaiato, fala: como bolinha de ping pong tá perfeito, mas nao era para ser comida?

Fiquei traumatizada. Só fui (aprender a) cozinhar de novo 10 anos depois quando fui morar sozinha.

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sábado, 24 de julho de 2010

Empregos de Imigrante - Parte I

Quando a aventura comeca, tudo é festa!  Saí do Brasil com um endereco para procurar emprego como garconete num hotel de luxo, com indicacao e tudo.  Feliz da vida, depois de ter bons empregos no Brasil, em empresas sólidas e ganhando razoavelmente,  eu estava mesmo tirando férias da minha vida, partindo para uma viagem com a qual sempre sonhei.  Sempre achei o máximo relatos de pessoas que passaram um período fora e fizeram "bicos" para se virar.  Achei que as outras pessoas que fosse encontrar estariam na mesma condicao que eu, e de bem com a vida...

Cheguei em Londres na quarta a noite, e na quinta de manha eu já estava empregada, para comecar na segunda-feira.  Parece que gostaram de mim.  Mas, errr...  Vida de garconete nao é lá aquela aventura toda que eu estava esperando, nem as pessoas amigáveis, para muita gente aquilo ali era o único emprego possível e chegando "mais uma estrangeira" e falando ingles de cara (porque a maioria nao sabia era nada mesmo), e com uma educacao muito diferente dos que já estavam lá, bem, essa vida durou um mes, e eu dei gracas a Deus quando acabou.

The Lanesborough
Decidida a nao carregar mais bandejas, fui procurar outra coisa.  As outras brasileiras com as quais tive contato quando cheguei estavam todas nos cascos comigo: "como assim nao quer ser garconete? Por que voce pensa que é melhor do que a gente? Como é que voce já fala ingles? Nao pense que vai encontrar outra coisa nao".  E até a amiga com quem estava morando parou de falar comigo porque eu nao queria trabalhar de garconete.  Isso porque ela estava lá com um emprego "normal" de arquiteta, por ter passaporte italiano, e eu cheguei lá com visto de estudante, com limitacoes de trabalho atreladas ao meu visto, nao era qualquer lugar que aceitava um esquema de 20 horas/semana.  O porque dela ter ficado com tanta raiva por eu querer fazer outra coisa seria um outro post enorme, sobre um assunto completamente diferente.  Pena.

Depois do hotel, consegui um emprego de recepcionista numa churrascaria.  Foram 5 meses de escravidao, trabalhava 12horas/dia, em pé, sem direito a sentar, 15 minutos de descanso a tarde e 15 minutos a noite.  Para dar conta, ia ao banheiro mais vezes do que precisava e dava umas cochiladas de 3 minutos para reanimar.  E esqueci de dizer, trabalhando em churrascaria, mas sem direito a comer.  Também nao pagavam hora extra.  Nos meus dias de folga eu queria cortar meus pés fora, nao podia trabalhar de tenis, tinha um tailleur de uniforme e o sapato tinha que combinar.  Foi ali que conheci pela primeira vez o que eram varizes.  Todas as que eu tenho hoje, nasceram ali, naquela churrascaria.  Saía do emprego fedendo a grill, queria lavar o cabelo todas as noites, mas o cansaco me vencia quase sempre.  Ali eu resolvi, emprego que fede, nunca mais.

Gaucho Grill Canary Wharf

Naquele ponto eu já sentia muita falta das coisas de casa, do cabelereiro onde ia todas as semanas para fazer massagens, das manicures e pedicures, limpeza de pele, comida de casa...  Eu tinha que encontrar algum grau de normalidade e dar um jeito de arrumar uma grana com aquelas 20 horas.  Por algum motivo que nem eu mesma sei, voltar para o Brasil era fora de questao.  Era em Londres que eu queria viver, só que uma vida normal, e eu sabia que isso levaria tempo para acontecer.  E encontrei a solucao perfeita, dentro do que a minha situacao me permitia.  Dois empregos de 20 horas, um na livraria e outro no salao de beleza.

O bom é que na Inglaterra essas coisas sao comuns e dá para conciliar.  Eu trabalhava na livraria pela manha de terca a sábado, e no salao alguns dias variáveis na parte da tarde e da noite.  Beleza!  Salário fixo, férias, ambientes agradáveis e descontos em livros e tratamentos e produtos de beleza de graca!  O que mais eu poderia querer????

Já falei da livraria em posts antigos, ali eu fiquei 3 anos, até ir para a Itália pegar meus documentos.  Eu amava trabalhar com as freiras e, a bem da verdade, adorava quando as pessoas me confundiam com elas.  Até hoje sinto muita falta daquele ambiente, mas principalmente das Irmas Paulinas.

O salao de beleza também foi ótimo para eu ver que nunca precisaria gastar meu dinheiro com tratamentos nas maos de inglesas.  Elas nao sabem fazer nada e tem a parede coberta de diplomas exigidos por lei.  Eu tinha direito a dois tratamentos de graca por mes, mas sempre que entrava na salinha as meninas faziam alguma outra coisa ao mesmo tempo.  As limpezas de pele nao limpavam nada, as manicures e pedicures super mal-feitas, esmalte pra tudo que era lado, menos cobrindo as unhas.  Acho que só gostei mesmo foi de tingir as sombrancelhas e os cílios, ficaram lindos!  Mas caíram tanto, que desisti de continuar fazendo, com medo de ficar com os olhos carecas.  A salvacao é que em Londres nao faltam saloes brasileiros.  Nao tive a mesma sorte no deserto do NM.

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domingo, 25 de abril de 2010

Don Roale

Saudades de Niterói, daquela cidade que existiu nos meus vinte anos.  Don Roale, Farinata e Sequela (qual era o nome "oficial" daquilo? Clube 107?).  Quantas noites bebendo, cantando e dancando, ajudando os garcons a colocar as cadeiras em cima das mesas, as saideiras que nao terminavam nunca.  Tinha muita gente estranha e muita gente boa.  Nao sei em qual dos dois grupos me enquadrava.  Peter é meu amigo até hoje, tocou no meu casamento.  E hoje achei o Dan no Youtube.



Só faltava agora encontrar aquele maluco que cantava mais ou menos isso:

Sábado, é o dia dos bêbados, e das moças católicas, que vão a missa rezar para encontrar um BÊBADO.  Aquele cara simpático, que quando não tá estático, sentado na mesa de um bar pra tentar encontrar algum método, be bancar o ilógico, de burlar o estético. 


Alguém sabe a letra dessa pérola ou tem alguma gravacao disso?  AMO!!!


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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói, eu choro com voce

Minha terra linda! O que fizeram com voce?  Niterói é cidade grande com jeito de interior, todo mundo se conhece de um jeito ou de outro.  O lixao desabou, quem morava lá? Com certeza alguém que eu conhecia estava por lá.

O crescimento das favelas nao é "privilégio" de Niterói, é fato no país inteiro.  A culpa nao é de quem constrói nas encostas e morros, é de quem nao se lembra que essas pessoas precisam de moradia digna em algum lugar.  As solucoes e estudos das ocupacoes existem sim, mas os governos se recusam a implementá-los.

Acabou de aparecer no Jornal Nacional a Regina.  Regina Bienenstein, é responsável pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, da UFF.  O NEPHU realiza um trabalho sério e tem o levantamento da situacao de várias ocupacoes em Niterói e no Rio.  É um grupo multidisciplinar, com profissionais qualificados, professores e alunos da UFF.  Urbanistas, Engenheiros de várias especializacoes, Sociólogos, Assistentes Sociais, Advogados.  Todos os levantamentos sao feitos mediante pedido das próprias comunidades, e depois existe o esforco de levar o resultado desses estudos para as autoridades competentes, mostrando a viabilidade dos projetos e seus prováveis resultados.  As vezes esses estudos sao levados a sério e os trabalhos sao feitos sob a supervisao do NEPHU e dos moradores locais.  Muitas vezes, as autoridades públicas nao querem nem conversar.

Nao raro, a remocao é mais cara do que a recuperacao e urbanizacao de áreas degradadas.  Mesmo assim, os governos nao se interessam.  Remocao faz estardalhaco na mídia e traz voto da populacao classe média, enquanto a recuperacao do espaco só atinge os favelados da área - provavelmente classificados como votos e seres humanos de segunda classe? Outras vezes existem projetos aprovados, em andamento, mas com a mudanca de governos os novos "encarregados" simplesmente cancelam tudo o que já foi feito, muitas vezes, desperdicando todo o dinheiro já investido na área.  Quantas vezes eu tive os meus salários e até vales-tranporte roubados pelos novos ocupantes do governo do estado, da prefeitura...

Morro do Estado, visto pelo Centro de Niterói
Foto do O Globo

Eu trabalhei por 6 anos no NEPHU e tinha muito orgulho do trabalho que fazia.  Subi morros incontáveis vezes, de manha, a tarde e a noite, para levantamento das áreas ou reunioes com os moradores, onde tudo o que deveria ser feito era meticulosamente explicado.  As reunioes nao terminavam enquanto houvesse alguma dúvida.  Qualquer trabalho só é realizado mediante a aprovacao de 100% dos moradores.  Difícil?  Com certeza.  Mas a Regina sempre soube como fazer.  Nunca impos solucao alguma para ninguém, nem os moradores sao tratados como retardados sem opiniao.  Pelo menos 3 solucoes (viáveis) sao preparadas e apresentadas para discussao com os moradores.  Dessas discussoes, nao raro, chegava-se a uma quarta ou quinta alternativa.  Na maior parte das vezes custam muito menos do que as pracinhas vagabundas que a prefeitura cisma em construir no meio das comunidades, com fins eleitoreiros.  Mesmo assim, as pracinhas sempre foram consideradas prioridade face a solucoes de transformacao urbanistíca, que garantiriam seguranca para toda uma comunidade.

Morador de favela nao é marginal.  Sao pessoas que foram transformadas em estatísticas de votos pelos governos, sem direito a uma política habitacional.  A culpa nao vem de 20, 30 anos atrás.  O problema comecou com o bota-abaixo do Pereira Passos lá no início do séc. XX, e só foi piorando com o tempo.  As populacoes sendo sistematicamente expulsas das suas casas, mas sem ter nenhuma alternativa de moradia oferecida. Nem uma linha de crédito, nada.  Meia dúzia de conjuntos habitacionais vagabundos, oferecendo espacos sub-humanos, sem um mínimo de dignidade, as pessoas tratadas como gado.  Conheci um conjunto habitacional, dentro de uma favela em Jacarepaguá (nome "oficial" Vila Albano, nome conhecido pelos moradores, nem desconfio), onde cada casa era um total de 20m2.  No "asfalto" é proibida a construcao de unidades habitacionais menores que 30m2.  Por que na favela 20m2 serve?

O que eu sempre me orgulhei no NEPHU é que a universidade trabalha junto com a populacao.  Tratando as pessoas como se deve, como seres humanos, respeitando a dignidade de cada um, educando para que possam reivindicar uma vida melhor, para se tornarem cidadaos de fato.  As pessoas nao sao jogadas no meio de obras que nao entendem, elas sao educadas e informadas do passo-a-passo, para que elas mesmo decidam o que é melhor na vida e na comunidade delas.  Tenho o maior orgulho da Regina, embora ela talvez nao saiba.

Niterói é o berco da Regina (acho) e do NEPHU.  Muita tragédia poderia ter sido evitada nessas chuvas se a prefeitura tivesse levado a sério o trabalho feito pela própria UFF, em sua maioria por moradores de Niterói: Gente que tem o maior interesse em transformar nossa cidade no melhor lugar do mundo.  Essas solucoes custam pouco, muito pouco.  Bem menos do que as propinas que movem as eleicoes, com certeza.

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Feliz Aniversario, voce que ja morreu

Tenho saudades de quando voce era vivo.  Hoje sinto muita pena de voce, só espero que nao se levante tarde demais do túmulo.  Nem sei se ainda le o blog, talvez nao, sua internet deve ser censurada e voce ainda corre o risco de ir para o tronco né, isaura?  Nao tem problema nao, se levar uma mordida é só tomar uma anti-ofídica que tá tudo certo.  Voce já deve estar acostumado com isso, nao é mesmo?









Voce é autorizado a ouvir música ou Latino ainda é trilha sonora onipresente no seu ambiente?



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domingo, 27 de setembro de 2009

Ne Me Quitte Pas

Já falei aqui que eu adoro a Maysa? E "Ne me quite pas" é uma das minhas músicas preferidas? Acho a interpretacao dela a melhor de todas, ainda melhor qur do Jacques Brel.




E uma um pouco mais alegrinha e bem menos mórbida, a minha preferida da Edith Piaf é "Non, Je Ne Regrette Rien":



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