Picture SNOWSHOEING IN SANTA FE (NEW MEXICO, USA, March 2010)

Vicky Mundo Afora ou Mundoafora? Nao importa. É vida de imigrante. O mundo eh tao grande. Por que deveria passar minha vida inteira no Rio de Janeiro? Preciso viver e falar outras linguas, viver com e como outras pessoas. Um dia eu volto. Para onde? Ora, para casa. Onde eh casa mesmo?



Picture credits on this blog go to my lovely husband, who has never enough of beautiful and interesting views all over the world. If a picture is not his, it will be linked to its original source.

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domingo, 25 de abril de 2010

Don Roale

Saudades de Niterói, daquela cidade que existiu nos meus vinte anos.  Don Roale, Farinata e Sequela (qual era o nome "oficial" daquilo? Clube 107?).  Quantas noites bebendo, cantando e dancando, ajudando os garcons a colocar as cadeiras em cima das mesas, as saideiras que nao terminavam nunca.  Tinha muita gente estranha e muita gente boa.  Nao sei em qual dos dois grupos me enquadrava.  Peter é meu amigo até hoje, tocou no meu casamento.  E hoje achei o Dan no Youtube.



Só faltava agora encontrar aquele maluco que cantava mais ou menos isso:

Sábado, é o dia dos bêbados, e das moças católicas, que vão a missa rezar para encontrar um BÊBADO.  Aquele cara simpático, que quando não tá estático, sentado na mesa de um bar pra tentar encontrar algum método, be bancar o ilógico, de burlar o estético. 


Alguém sabe a letra dessa pérola ou tem alguma gravacao disso?  AMO!!!


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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói, eu choro com voce

Minha terra linda! O que fizeram com voce?  Niterói é cidade grande com jeito de interior, todo mundo se conhece de um jeito ou de outro.  O lixao desabou, quem morava lá? Com certeza alguém que eu conhecia estava por lá.

O crescimento das favelas nao é "privilégio" de Niterói, é fato no país inteiro.  A culpa nao é de quem constrói nas encostas e morros, é de quem nao se lembra que essas pessoas precisam de moradia digna em algum lugar.  As solucoes e estudos das ocupacoes existem sim, mas os governos se recusam a implementá-los.

Acabou de aparecer no Jornal Nacional a Regina.  Regina Bienenstein, é responsável pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos, da UFF.  O NEPHU realiza um trabalho sério e tem o levantamento da situacao de várias ocupacoes em Niterói e no Rio.  É um grupo multidisciplinar, com profissionais qualificados, professores e alunos da UFF.  Urbanistas, Engenheiros de várias especializacoes, Sociólogos, Assistentes Sociais, Advogados.  Todos os levantamentos sao feitos mediante pedido das próprias comunidades, e depois existe o esforco de levar o resultado desses estudos para as autoridades competentes, mostrando a viabilidade dos projetos e seus prováveis resultados.  As vezes esses estudos sao levados a sério e os trabalhos sao feitos sob a supervisao do NEPHU e dos moradores locais.  Muitas vezes, as autoridades públicas nao querem nem conversar.

Nao raro, a remocao é mais cara do que a recuperacao e urbanizacao de áreas degradadas.  Mesmo assim, os governos nao se interessam.  Remocao faz estardalhaco na mídia e traz voto da populacao classe média, enquanto a recuperacao do espaco só atinge os favelados da área - provavelmente classificados como votos e seres humanos de segunda classe? Outras vezes existem projetos aprovados, em andamento, mas com a mudanca de governos os novos "encarregados" simplesmente cancelam tudo o que já foi feito, muitas vezes, desperdicando todo o dinheiro já investido na área.  Quantas vezes eu tive os meus salários e até vales-tranporte roubados pelos novos ocupantes do governo do estado, da prefeitura...

Morro do Estado, visto pelo Centro de Niterói
Foto do O Globo

Eu trabalhei por 6 anos no NEPHU e tinha muito orgulho do trabalho que fazia.  Subi morros incontáveis vezes, de manha, a tarde e a noite, para levantamento das áreas ou reunioes com os moradores, onde tudo o que deveria ser feito era meticulosamente explicado.  As reunioes nao terminavam enquanto houvesse alguma dúvida.  Qualquer trabalho só é realizado mediante a aprovacao de 100% dos moradores.  Difícil?  Com certeza.  Mas a Regina sempre soube como fazer.  Nunca impos solucao alguma para ninguém, nem os moradores sao tratados como retardados sem opiniao.  Pelo menos 3 solucoes (viáveis) sao preparadas e apresentadas para discussao com os moradores.  Dessas discussoes, nao raro, chegava-se a uma quarta ou quinta alternativa.  Na maior parte das vezes custam muito menos do que as pracinhas vagabundas que a prefeitura cisma em construir no meio das comunidades, com fins eleitoreiros.  Mesmo assim, as pracinhas sempre foram consideradas prioridade face a solucoes de transformacao urbanistíca, que garantiriam seguranca para toda uma comunidade.

Morador de favela nao é marginal.  Sao pessoas que foram transformadas em estatísticas de votos pelos governos, sem direito a uma política habitacional.  A culpa nao vem de 20, 30 anos atrás.  O problema comecou com o bota-abaixo do Pereira Passos lá no início do séc. XX, e só foi piorando com o tempo.  As populacoes sendo sistematicamente expulsas das suas casas, mas sem ter nenhuma alternativa de moradia oferecida. Nem uma linha de crédito, nada.  Meia dúzia de conjuntos habitacionais vagabundos, oferecendo espacos sub-humanos, sem um mínimo de dignidade, as pessoas tratadas como gado.  Conheci um conjunto habitacional, dentro de uma favela em Jacarepaguá (nome "oficial" Vila Albano, nome conhecido pelos moradores, nem desconfio), onde cada casa era um total de 20m2.  No "asfalto" é proibida a construcao de unidades habitacionais menores que 30m2.  Por que na favela 20m2 serve?

O que eu sempre me orgulhei no NEPHU é que a universidade trabalha junto com a populacao.  Tratando as pessoas como se deve, como seres humanos, respeitando a dignidade de cada um, educando para que possam reivindicar uma vida melhor, para se tornarem cidadaos de fato.  As pessoas nao sao jogadas no meio de obras que nao entendem, elas sao educadas e informadas do passo-a-passo, para que elas mesmo decidam o que é melhor na vida e na comunidade delas.  Tenho o maior orgulho da Regina, embora ela talvez nao saiba.

Niterói é o berco da Regina (acho) e do NEPHU.  Muita tragédia poderia ter sido evitada nessas chuvas se a prefeitura tivesse levado a sério o trabalho feito pela própria UFF, em sua maioria por moradores de Niterói: Gente que tem o maior interesse em transformar nossa cidade no melhor lugar do mundo.  Essas solucoes custam pouco, muito pouco.  Bem menos do que as propinas que movem as eleicoes, com certeza.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Novo Layout: Preciso de um HELP

Adotei o novo blogger template.  Adoro um DIY (do-it-yourself).  Nao sem alguns problemas, é claro: estou achando meio poluído o visual, nao consegui fazer todas as adaptacoes do jeito que queria.  (Falta-me a paciencia para um cursinho básico de HTML talvez?).

Alguém sabe me dizer como eu faco para "esticar" a foto do título e mudar a fonte da descricao do site? 

E mandem suas opinioes sobre o novo layout e como posso melhorar.  Queria fazer algo mais fácil "visualmente" e mais agradável, diminuindo o número de posts em cada página.

Estou aguardando!!!

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Feliz Aniversario, voce que ja morreu

Tenho saudades de quando voce era vivo.  Hoje sinto muita pena de voce, só espero que nao se levante tarde demais do túmulo.  Nem sei se ainda le o blog, talvez nao, sua internet deve ser censurada e voce ainda corre o risco de ir para o tronco né, isaura?  Nao tem problema nao, se levar uma mordida é só tomar uma anti-ofídica que tá tudo certo.  Voce já deve estar acostumado com isso, nao é mesmo?









Voce é autorizado a ouvir música ou Latino ainda é trilha sonora onipresente no seu ambiente?



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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A gente vai levando

hehehehehe  Tem dia que a gente (eu) fala demais.  Tem dia que nem lembra que deveria escrever um pouquinho.  E assim se faz um blog.

Rede, sossego, e cerveja gelada (na verdade é um monte de chá quente - com pastel de carne)!  Que a gripe já me pegou de jeito...

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Observacoes (quase) Antropologicas - Churrasco no Novo México, ou A Matanza – Parte 2

Quando se fala da comida preparada e servida durante uma típica Matanza é importante notar que a fritura e os grelhados sem pimenta sao as iguarias mais palatáveis para quem nao está acostumado com esses regionalismos. Quase tudo tem pimenta, um tipo que dizem só existe aqui, mas eu me abstenho de falar sobre ou provar esse assunto.




Um dos pratos típicos da cozinha local e indispensável em qualquer Matanza: Chicharrones, fritos pelos presentes ao longo da festa, e todos tem que ajudar.  É pele de porco frita na própria banha (e eu esqueci de pegar um pote de banha para levar para casa. Buáááá!). Existe um tacho gigantesco para essa fritura coletiva - a família inteira mexe o tacho, alternando criancas, adultos, jovens e nao tao jovens. Sempre soube que pele de porco frita resulta em torresmo. Só que isso que estavam fazendo aqui resultava em uns pedacinhos de carne suculentos enquanto quentes, e crocantes quando frio (bom demais!). E em nada me lembrava um torresmo da tia Leda. Se isso tem outro nome no Brasil, por favor me avisem pois estou por fora, nunca vi. Eu adorei (se é fritura, to dentro. Fica feliz o meu colesterol 340).
                                                                                                                                                        

Estava muito frio, eu vestia um casaco que mais parecia um edredon portátil, e nao queria chegar perto do fogo com medo de voar alguma faísca e incendiar o casaco comigo dentro.  Tolinha...  Fui intimada por um dos primos do Gerald a ajudar a escorrer a gordura das peles fritas.  Segundo ele, esse era o meu “rito de iniciacao” para ser aceita como um membro da família.  Entao tá, né?  Tirei o casaco, e lá fui eu para a beira do fogo, morrendo de medo de estragar alguma coisa e ainda me sujar.  Realmente, para tudo tem uma primeira vez.


A operacao é o seguinte: pela manha joga-se a pele de porco no tacho, fogo já aceso.  A pele vai soltando a própria gordura e o negócio todo comeca a ferver.  Em momento algum pode parar de mexer.  A família vai se revezando na atividade de mexer o caldeirao.  Tem gente que aguenta mais, tem gente que aguenta menos tempo, mas todo mundo tem que dar um pouco do próprio suor naquilo ali – deve ser parte do tempero?  Depois de umas 4 ou 5 horas alguém decide que está pronto.  Vem o caubói com um escorredor, retira a pele do caldeirao aos poucos, e deposita tudo naquele saco de juta que duas pessoas seguram.  Voce tem idéia de quanta pele tem um porco adulto????  Cada um torce o “torniquete” para o lado oposto, espremendo bem a gordura.  E repete-se tudo até acabar. Nao pode deixar cair nem um chicharrone de volta no tacho senao a zoacao é geral.  Fiz isso por 2 horas e só caiu algum uma única vez.  Lógico que essa é que foi filmada.  Chama-se Infalibilidade da Lei de Murphy.


E, voilá!  O astro da festa (ao menos para mim):


Repararam na minha falta de jeito?  Só faltou um salto alto para me deixar mais desengoncada ainda.  Parece até que nasci pra isso (sim, claro).  Hoje, assistindo ao vídeo novamente, lembra até uma sessao de inciacao das bruxas com a “mexecao” coletiva do caldeirao.  Só faltou a vassoura para dar um toque...





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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Observacoes (quase) Antropologicas - Churrasco no Novo México, ou A Matanza - Parte 1

Churrasco é churrasco.  Certo?  Erradíssimo. Se no Brasil adicionar qualquer coisa que nao seja sal grosso na carne da churrasqueira é um sacrilégio, em outras partes do mundo a carne é preparada das mais diversas formas .  A minha experiencia nesse caso é limitada, por isso nao creio estar apta a fazer muitas comparacoes, mas quero registrar algumas impressoes colhidas ao longo das minhas viagens.

A vida inteira frequentei churrascos a beira de piscinas, no Brasil.  Nunca fui num churrasco na roca, o que acredito ser mais farto e fresco.  No Brasil temos o molho a campanha, arroz e farofa como acompanhamentos básicos. Temos picanha, costela, asa e coracao de frango, linguica.  É o mínimo que se espera (embora por mim só precisasse de carne e cerveja).  Ir a um churrasco onde nao se tem nada disso soa estranho - dá a impressao de faltar algo e deixa-nos com uma fome e saudade enormes.



Na Inglaterra um churrasco pode ser alguma carne cortada em bife posta na grelha, vao também alguns legumes, frutas.  Como tudo na cozinha inglesa, sao tipicamente sem gosto por conta da ausencia total do sal - que na minha teoria os ingleses confundem com arsenico, nunca tem sal em comida alguma.  Enquanto morei na Itália nao vi churrasco (também nao conhecia brasileiros por lá, só andava com italianos) mas com aquela comida, nao dava nem tempo de lembrar do que existe no Brasil.  E sinceramente, em matéria de comida, moraria para sempre na Itália e muito feliz sem sair de lá.  Tem alguma coisa naquela Bota que é um mistério: o povo come diariamente como se fosse o último dia de vida e como precisassem se alimentar para a eternidade.  E nunca vi nenhum gordo por lá.  Juro.

Nos EUA tem aquilo que vemos em filme (e eu me incluo nisso): uma churrasqueira cheia de frescura, com uns hamburgueres por cima e umas salsichas.  E ainda assim queimam tudo.  Sem falar na melecada que poem em cima das carnes, todos aqueles molhos sao doces.  Nunca fui a um churrasco assim na casa de ninguém, mas o maridao já me levou para comer em "churrascarias".  Bem, nao recomendo se o que voce está atrás é de uma boa carne, é tudo doce ou com pimenta ou os dois juntos. Tempero, nem pensar.  Eu comi chorando de desgosto.  Se o que voce quer é uma experiencia nova e conhecer novos sabores, vai em frente.  Depois me conta o que achou.


Hoje estou morando no Novo México.  E como é o churrasco aqui?  Tá certo que é parte dos EUA, mas a comida tem influencia mexicana muito mais forte que a americana.  E eu moro na roca.



Tive o prazer de participar de uma Matanza, que seria uma espécie de "grande churrascada anual" para quem cria animais.  Mata-se um porco ou um boi pela manha.  Segue a limpeza, o corte e o preparo das carnes.  Cozinha-se, grelha-se, frita-se, toda a carne durante a festa que leva um dia inteiro.  Muita comida e a família e os amigos reunidos. Haja gente para comer um porco inteiro, imagina um boi! Costuma ser durante o outono (já está um frio corno, ainda mais para quem saiu do Rio de Janeiro), mas tem gente que também faz no inverno.  Isso porque o Novo México é no deserto e os animais engordam mais durante o verao, quando chove e tem mais pasto para alimentá-los.  No outono o gado está mais gordinho e é quando os produtores vendem suas cabecas.  Ou se mata algum para a churrascada monumental.



Eu adorei a festa, mas só cheguei depois que já estava tudo no fogo (imagina se me pegam para cortar um pedaco de porco, tá doido!).  Nesse churrasco encontramos também uma panelada de "red chile" e vários bifes feitos sempre com muita pimenta local. É muita carne e preparada de diversas formas, nem me lembro de tudo.  E ainda tem os acompanhamentos, sendo que me chocou  uma sopa de pipoca - muito estranha.  Ouvi dizer que é um prato típico mexicano e dessas coisas eu prefiro nem lembrar o nome.  Nessas horas eu dou Gracas a Deus por ser brasileira.


A festa nao tem hora para acabar, a noite já está quase congelando os ossos (das pessoas, nao do suíno em questao) e vai todo mundo ficar em volta do fogo assando marshmellow.  E ainda tem comida que sobrou e todo mundo leva uma quentinha para casa.

 

Todas as fotos sao da Matanza da minha nova família, que foi em novembro passado.  O que tem no caldeirao é o assunto do próximo post.

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